Experiências internacionais no contexto de retomada das aulas

Resumo

Dinamarca e Noruega privilegiaram a educação infantil na volta às escolas por ser um público com mais dificuldade em aderir à educação a distância. Portugal decidiu retomar as aulas dos alunos maiores. Já a China optou por reabrir as escolas situadas em áreas menos afetadas e em privilegiar os estudantes que estão perto da formatura. E no Brasil, como será a retomada das aulas presenciais? O que a experiência dos outros países pode ensinar gestores, diretores, professores e pais a fazer, e a não fazer, nesse momento? Estas e até mesmo questões que passam longe das salas de aula, mas perto dos alunos, são abordadas pelos debatedores deste webinar – Marlova Noleto, diretora da Unesco no Brasil, Priscila Cruz, presidente-executiva da ONG Todos Pela Educação, Ítalo Dutra, chefe da área de educação do Unicef no Brasil, Marcelo Perez, especialista líder em educação do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Raphael Callou, diretor da Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) no Brasil, Felipe Camarão, secretário de educação do Maranhão, e Luiz Miguel Garcia, presidente da Undime Nacional –, com moderação de Jaana Nogueira, coordenadora do  Centro de Desenvolvimento da Gestão Pública e Políticas Educacionais da FGV. Estudos de larga escala para saber como sistemas educacionais conseguiram sair de situações como pandemias, tsunamis e guerra revelam que a tarefa de recuperar o passado e dar passos em direção ao futuro exige o cumprimento de certas recomendações, a primeira delas a de haver estreita comunicação entre os gestores educacionais e as famílias. A segunda recomendação é a da intersetorialidade, ou seja, um trabalho conjunto da educação, saúde, economia e assistência social leva a um melhor resultado. A terceira recomendação refere-se a gestão e financiamento. A realização de uma avaliação diagnóstica é fundamental para que gestores e professores conheçam as defasagens de aprendizagem entre os alunos e, a partir daí, tracem novas estratégias e ações, entre elas a capacitação dos docentes para o acolhimento dos estudantes e para utilização da tecnologia como ferramenta suplementar ao ensino presencial. O financiamento, aqui, é fundamental e estruturante, pois permitirá um fluxo de recursos que possibilitem todas essas ações, inclusive aquelas básicas para a retomada das aulas, como o fornecimento de kits com máscaras e álcool em gel para estudantes, professores e demais trabalhadores da educação. A ausência de uma liderança nacional à frente da educação durante a pandemia tem dificultado o trabalho de estados e municípios, inclusive em estabelecer protocolos pedagógicos e sanitários para a volta à escola. A indefinição federal quanto ao Fundeb traz ainda mais insegurança ao setor, obrigado a atuar sem saber com quais fontes de financiamento poderá contar para voltar ao “novo normal”. Por outro lado, a inação do MEC abriu a oportunidade para que estados, municípios e demais agências ligadas à educação se unissem e estabelecessem um processo de diálogo, debate e troca de informações bastante profícuo.


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