O ajuste da economia argentina

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2025-04-03

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O artigo analisa o ajuste econômico argentino após a eleição de Javier Milei em 2023. Apesar da sua expressiva vitória eleitoral, o Governo enfrentou uma situação de fragmentação no Congresso, dispondo apenas de 15% das cadeiras na Câmara de Deputados. O programa econômico combinou uma forte desvalorização cambial inicial, seguida de um crawling peg de 2% de desvalorizações mensais durante 2024, com liberalização de preços e um severo ajuste fiscal. Em particular, o gasto público primário diminuiu 27% em termos reais em 2024 (4,5 pontos do PIB). A inflação cedeu de 26% em dezembro de 2023 para menos de 3% ao mês nos últimos meses. O setor externo melhorou substancialmente em 2024 com a recuperação agrícola após a seca prévia, mas enfrenta riscos claros, devido à apreciação cambial real. As perspectivas do país dependem crucialmente das exportações agropecuárias e da exploração de novas oportunidades em petróleo e minérios, que podem potencialmente permitir, conjuntamente com a manutenção do ajuste fiscal, uma mudança de paradigma da economia argentina. Entretanto, a batalha da estabilização está longe de ser ganha e como estabilizar a taxa de câmbio, evitar uma nova desvalorização e, ao mesmo tempo, conseguir bons resultados do Balanço de Pagamentos, continua sendo um grande desafio para as autoridades.

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