Efeitos da violência doméstica na participação e na permanência das mulheres no mercado de trabalho no Brasil

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Data
2022-08-29
Orientador(res)
Motta, Victor Eduardo da
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Resumo

Este artigo tem como objetivo avaliar os efeitos da violência doméstica na participação feminina no mercado de trabalho no Brasil, a partir de duas perguntas de pesquisa: (1) qual é o impacto de sofrer violência doméstica para a participação da mulher no mercado de trabalho?; e (2) dado que a mulher está inserida no mercado de trabalho, a violência doméstica impacta sua chance de deixá-lo? Ambas as questões são analisadas distinguindo entre mulheres que continuam com seus companheiros e mulheres que se separam deles. Utilizando os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2009, foram estimados dois modelos: um probit, cuja variável dependente é a participação no mercado de trabalho, incluindo a sensação de insegurança da mulher no domicílio como instrumento para identificação causal; e um modelo Heckit, cuja variável dependente é a saída do mercado de trabalho. Os resultados indicam a existência de um efeito positivo da violência doméstica na probabilidade de participação da mulher no mercado de trabalho, significativo apenas para as mulheres que se separaram dos cônjuges. Ao mesmo tempo, os resultados sugerem que sofrer violência doméstica aumenta a probabilidade de saída da mulher do mercado de trabalho, mas apenas aquelas que permanecem com os cônjuges. Esse efeito é intensificado quando o marido não participa do mercado de trabalho. Os achados deste artigo explicitam a violência doméstica como fator determinante para a manutenção das desigualdades de gênero no mercado de trabalho. Até onde sabemos, os efeitos distintos da violência na participação no mercado de trabalho entre mulheres que continuam com seus cônjuges e mulheres que se separam são uma contribuição inédita para a literatura sobre o tema.


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