Sonhos Yanomami na decolonização dos estudos organizacionais

Data
2023-09-28
Orientador(res)
Fontenelle, Isleide Arruda
Oliveira, Josiane Silva de
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Resumo

Nesta tese, proponho uma discussão a respeito da Decolonização dos Estudos Organizacionais a partir de ontologias de povos indígenas – aqui considerados como grupos de pessoas que conseguem resistir, apesar do extermínio e sofrimento que enfrentam por meio da colonização, capitalismo e modernidade, há séculos. A revisão de literatura toca em discussões sobre a Decolonialidade, os Estudos Organizacionais (principalmente os hegemônicos, provenientes do pensamento moderno/capitalista) e a relação histórica de extermínio da colonização sobre povos indígenas. Uma vez que a combinação de modernidade, capitalismo e colonização empacota uma ontologia que busca enfatizar racionalismo e linearidade (própria do pensamento europeu e seus derivados dos últimos séculos), busquei entrar em contato com um pouco do infinito saber indígena (no caso, o povo yanomami), e de seu Organizar, principalmente a partir de seus sonhos. Os sonhos – por suas características não necessariamente lineares e racionais, são aqui tidos como uma fonte de questionamento à colonização como base dos Estudos Organizacionais e da ciência moderna. Para tanto, fiz uma análise temática do livro ‘A Queda do Céu’, que apresenta relato de vida do xamã yanomami Davi Kopenawa. Com base nos temas ‘o tempo do sonho’ e ‘xapiri’ (espíritos da floresta), discuto como os yanomami se organizam a partir de seus sonhos. Considerando que os Estudos Organizacionais hegemônicos costumam focar mais em pesquisas que enfatizam o trabalho e a gestão de recursos em organizações, faço uma discussão sobre organizações humanas que perpassam as relações sociais como um todo, no meio em que estão inseridas. No caso dos yanomami (bem como de muitos outros povos indígenas), tais sociabilidades permeiam esferas humanas, animais, vegetais, biológicas e siderais, num extenso sentido de humanidade e de vida. Os sonhos são transversais a todo esse entendimento que, por vezes, não atua pelos caminhos da racionalidade, linearidade e lógica (moderna/capitalista). Em meio a esta discussão, proponho também reflexões acerca da ‘ontologia colonizadora’, frente a diversas ontologias indígenas. A análise temática de ‘A Queda do Céu’ me levou a concluir que a relação dos yanomami com os xapiri, no tempo do sonho, os leva a uma forma de Organizar capaz de contribuir com a decolonização dos Estudos Organizacionais – seja mostrando a experiência de um povo que precisou se (re)organizar de formas inimaginável diante da colonização, ou até mesmo ao nos permitir questionar se os modos de vida dos yanomami podem realmente ser considerados como partes de “um Organizar”.


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