Governança climática e informalidade urbana: análise dos arranjos comunitários em Recife (PE)
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Data
2025-02-26
Autores
Orientador(res)
Santos, Fernando Burgos Pimentel dos
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Resumo
A crise climática tem despertado preocupações globais devido aos seus impactos abrangentes, como eventos extremos, aumento do nível do mar, desertificação, pandemias e extinção de espécies, afetando a economia e os modos de vida de diversas populações. Em países do Sul Global, o debate sobre políticas e governança climática ganha camadas que tornam o enfrentamento desse problema uma tarefa ainda mais complexa devido a desafios como a precariedade urbana, barreiras no acesso a serviços públicos, desigualdades raciais e de gênero, corrupção e sobreposição de vulnerabilidades. São nessas comunidades que a crise é sentida de forma mais intensa. Existe também um movimento de baixo para cima liderado pelas comunidades, a partir de respostas informais que vão desde melhorias nas residências até a produção de planos e instrumentos de gestão comunitária. Esses movimentos de adaptação baseados nas comunidades são reconhecidos pelo grande potencial de inovação e organização para enfrentar o impacto das mudanças climáticas nesses territórios. Entretanto, existem poucos estudos que analisam a interação entre esses arranjos informais ou menos institucionalizados e as estruturas municipais de governança climática consolidadas. Nesse sentido, este trabalho explorou como arranjos comunitários informais contribuem para a governança climática urbana em contextos de sobreposição de vulnerabilidades. Para responder à pergunta, esta pesquisa parte de um estudo de caso baseado em Stake (1998) sobre a cidade do Recife, capital de Pernambuco, Brasil. Recife é a 16ª cidade mais vulnerável ao avanço das mudanças climáticas no mundo e, no cenário internacional, adquiriu certa relevância por ser um exemplo de cidade bem-sucedida na estruturação de sua governança climática. Por outro lado, Recife, durante anos, ocupou o título de capital da desigualdade. Essa comunhão de elementos torna a cidade um caso interessante para refletir sobre as dinâmicas informais e suas contribuições para o processo de governança formal. Desse modo, durante o trabalho de campo, acompanhei iniciativas e estratégias do governo local e iniciativas e estratégias comunitárias de duas comunidades diferentes, Coqueiral e Vila Arraes, além de dois arranjos formados por comunidades vulneráveis à inundação, FORTE e GERA. A estratégia de coleta valeu-se da combinação de técnicas de entrevistas, análise de documentos e observação participante para compreender a formação dos arranjos informais mobilizados nessas duas comunidades e como interagem com as estruturas institucionais de governança da cidade do Recife.
