Close but far: the real distance between blacks and whites in the largest Brazilian city

Data
2020-02-17
Orientador(res)
Teixeira, Marco Antônio Carvalho
Fernandes, Gustavo Andrey de A. L.
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Resumo

A democracia racial é, há muito, um mito questionado no Brasil. Todavia, níveis médios e baixos de segregação têm sido encontrados para metrópoles brasileiras, em contraste com uma vasta literatura qualitativa indicando separação social entre negros e brancos no Brasil. Isso pode resultar de um problema de mensuração, visto que a maior parte dos estudos utiliza o Índice de Dissimilaridade em sua versão aespacial (D), ainda que sua consistência seja amplamente questionada: D não leva em conta relações de vizinhança entre as unidades geográficas, é sensível à forma como a área de estudo é subdividida e pode falhar em capturar certos padrões de segregação, a depender da escala na qual este fenômeno acontece. Como áreas onde predomina um padrão de micro-segregação estão pouco documentadas pela literatura empírica quantitativa sobre cidades brasileiras, essa pesquisa busca enriquecer a discussão teórica sobre segregação no Brasil. D é comparado com uma medida espacial de Entropia (REARDON; O’SULLIVAN, 2004) na parte Centro-Oeste da Região Metropolitana de São Paulo – região de urbanização mais antiga e onde se encontra o centro financeiro e comercial da metrópole. Usando dados do último censo demográfico (2010), a Entropia foi calculada considerando tanto a distância euclidiana, quanto o tempo de deslocamento (Open Street Maps) para estabelecer relação de vizinhança entre os setores censitários, sendo o tempo de deslocamento uma melhor proxy para a distância entre dois pontos em um espaço urbano. Ambas as distribuições (de D e da Entropia) foram trianguladas com a descrição estatística da condição socioeconômica dos grupos raciais, com uma análise qualitativa da paisagem por meio de imagens de satélite e da vista da rua (Google Maps), com a composição racial de escolas e com a segregação escolar na mesma área, calculada com dados do censo escolar (2010). Os resultados sugerem que brancos têm escolaridade mais elevada e salários mais altos que a população negra: 27% dos brancos chegam à universidade, contra 8.7% de pardos e 11.5% de pretos; 15% dos brancos estão entre os salários 10% mais altos, em contraste com 2% e 3% de pardos e pretos, respectivamente. Salários mais elevados permitem certas escolhas em termos de serviços. No que se refere à educação, escolas privadas e racialmente homogêneas são claramente uma escolha das famílias de classe média e alta, já que a educação pública é gratuita e universal. Essa escolha se estende ao local de residência. Áreas com baixa Entropia (alta segregação) estão correlacionadas com o precentual de residentes brancos (correlação parcial de cerca de 0.60) e de domicílios de alta renda (correlação parcial de cerca de 0.23). D não foi capaz de capturar este aspecto da distribuição racial na mesma área, porque este indicador não leva em conta a composição racial das unidades geográficas vizinhas. Além disso, bairros ricos e brancos são marcados pela existência de condomínios fechados e com infraestrutura de segurança. Portanto, brancos de classes média e alta parecem ter desenvolvido suas próprias formas de auto-segregação que parecem caracterizar um white flight à brasileira, ainda a ser testado em estudos futuros.


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