Listening to silenced voices: affective atmospheres, care and resistance with decolonial feminist lenses

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Data
2025-04-10

Orientador(res)

Veludo-de-Oliveira, Tania

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Resumo
Esta tese de doutorado, fundamentada em uma perspectiva feminista decolonial, examina como o silêncio opera na vida de consumidoras adolescentes em situação de vulnerabilidade, explorando suas interseções com atmosferas afetivas, cuidado e resistência. Por meio de uma pesquisa etnográfica feminista decolonial em periferias do Brasil, este trabalho revela como a colonialidade, o patriarcado e o capitalismo moldam os afetos e experiências vividas por adolescentes de baixa renda. Ao ouvir vozes normalmente negligenciadas pelo marketing e pela pesquisa com consumidores, esta tese de doutorado não apenas critica as estruturas dominantes de produção de conhecimento, mas também propõe caminhos para a resistência. Ela contribui para os campos do feminismo, dos estudos decoloniais no comportamento do consumidor e de marketing crítico ao demonstrar como o silêncio é vivido e resistido no cotidiano da sociedade de consumo. Por fim, este trabalho defende uma abordagem transformadora para a pesquisa — uma que escuta, amplifica e cria conhecimento com aqueles que estão às margens. Estruturada como uma coletânea de três artigos acadêmicos inter-relacionados, esta dissertação desenvolve inicialmente o conceito de ‘Atmosferas de silêncio’, para compreender como o silêncio se materializa nas experiências de (não) consumo de produtos de saúde sexual por meninas adolescentes de baixa renda. Este primeiro artigo expande os estudos sobre atmosferas afetivas no campo do marketing, desenvolvendo uma nova atmosfera afetiva específica: a ‘Atmosfera de Silêncio’. Ele revela como tonalidades afetivas de vergonha, medo e raiva circulam por meio de atos silenciosos de omissão e comissão, reforçando desigualdades interseccionais. O segundo artigo desloca o foco para o cuidado como resistência infrapolítica, analisando como o trabalho doméstico não remunerado, frequentemente reduzido a um dever daqueles que estão à margem da nossa sociedade, torna-se um espaço de agência e resistência dentro de estruturas sociais opressivas. Baseando-se no conceito de locus fraturado de Maria Lugones, este artigo evidencia como o foco em cuidar das suas famílias faz as adolescentes questionarem os valores capitalistas dominantes e reivindicar sua humanidade por meio da resistência infrapolítica. O último artigo traz uma reflexão metodológica, propondo uma práxis emancipatória feminista decolonial para teorizar junto a vozes marginalizadas na pesquisa sobre consumo e marketing. Ele delineia uma abordagem feminista decolonial que (re)humaniza os sujeitos da pesquisa, desafia injustiças epistêmicas e promove uma produção acadêmica ética e recíproca.

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