Descarbonização da rede de gás canalizado com biometano no estado de São Paulo: análise dos casos Cocal (Presidente Prudente), Raízen (Piracicaba) e Orizon/Edge, (Paulínia)
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Data
2025-09-30
Autores
Orientador(res)
Carvalho, André Pereira de
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Resumo
O aproveitamento do biometano -gás renovável, abundante e sustentável - é cada vez mais visto como essencial para o combate às emissões de gases de efeito estufa (GEE), observa-se, uma onda vigorosa mundial em investimentos para seu aproveitamento. Esse movimento também ocorre no Brasil, que detém um grande potencial de produção, sendo esperado que o Brasil esteja entre os cinco maiores produtores de biometano nos próximos anos. O biometano foi reconhecido no Brasil pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis -ANP -como combustível intercambiável com o gás natural, em 2015, desde então percebe-se um avançogradual de inserção de metros cúbicos de biometano na infraestrutura de gasodutos. O biometano é um dos indutores da universalização do gás canalizado, pois possibilita prover a demanda existente no interior brasileiro distante da rede de gás canalizado, uma vez que sua produção pode ocorrer próximo ao centro de consumo, por exemplo, nas usinas de etanol que produzem como resíduo a vinhaça e a torta de filtro. O biometano pode ser visto também como uma ferramenta de diversificação da oferta de suprimento e segurança operacional. Pode ser também um dos protagonistas da transição energética nas redes de gás fóssil, pois ao interconectar o produtor à rede, no caso de São Paulo, por exemplo, o biometano pode ser distribuído em 24.000 km de gasoduto de distribuição para cerca de 3 milhões de consumidores em 180 municípios. É nesse contexto que, por meio de análise de literatura e pesquisa empírica, esse trabalho se propõe a examinar de que forma se dá a interconexão entre o produtor de biometano aos usuários de gás canalizado, considerando aspectos regulatórios para implementação. São analisados três casos de geração de biometano implementados no estado de São Paulo: duas usinas de etanol que utilizam a vinhaça e a torta de filtro – Cocal (Presidente Prudente) e Raízen (Piracicaba), e projeto Orizon/Edge, vinculado ao aterro sanitário de Paulínia. No que diz respeito aos desafios, ao longo desse estudo foi possível observar que há uma necessidade de desenvolvimento da efetiva implementação das diretivas para este setor com intuito de contribuir com a descarbonização da infraestrutura. Do lado dos investidores, verifica-se uma busca por soluções renováveis para tornar suas commodities e serviços mais atrativos aos seus consumidores e aderentes a transição energética mundial. Pelo lado dos estados e das concessionárias de gás canalizado é preciso manter os usuários conectadas na infraestrutura preexistente, inclusive agora que buscam gás renovável, otimizando o seu uso. Além disso, a conscientização e engajamento da sociedade são fundamentais para impulsionar mudanças significativas no setor, afinal como a IEA enfatiza a transição é para e sobre as pessoas. Em conclusão, a análise cruzada dos resultados dos casos estudados, revela que há um mercado ávido para consumo de biometano, atento às melhores práticas internacionais e à necessidade de adequação à conjuntura local de competitividade e custos, inclusive dos atributos ambientais como créditos de carbono, CBIO e CEGOB.
