Liderança de times autogerenciáveis: um estudo em empresa do setor alimentício

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Data
2025-06-23

Orientador(res)

Sant’anna, Anderson de Souza

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Este estudo investigou o papel da liderança em uma empresa do setor alimentício que implementou o modelo de equipes autogerenciáveis em suas operações fabris. Considerando a crescente adoção dessa abordagem organizacional, caracterizada pela descentralização da autoridade e pelo fortalecimento da autonomia coletiva, buscou-se compreender de que maneira diferentes estilos de liderança influenciaram a autonomia, o desempenho e o grau de maturidade das equipes operacionais. Para alcançar esse objetivo, realizou-se inicialmente uma revisão bibliográfica abrangente sobre o conceito de equipes autogerenciáveis e as práticas contemporâneas de liderança. Em seguida, conduziu-se um estudo de caso qualitativo na organização em questão. No que se refere à coleta de dados empíricos, esta foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com profissionais de diversos níveis hierárquicos, incluindo operadores, facilitadores, gestores intermediários e membros da alta liderança. Essa diversidade de perfis permitiu captar uma visão ampla e aprofundada das dinâmicas de liderança no contexto do modelo autogerenciável. Os resultados obtidos revelaram que, embora a liderança formal tenda a se diluir em estruturas autogeridas, sua presença continua sendo essencial para o bom funcionamento do modelo. Mais especificamente, constatou-se que o líder é percebido não como supervisor direto, mas como agente de suporte, facilitador de processos, provedor de recursos e incentivador do desenvolvimento de competências individuais e coletivas. Em outras palavras, sua função desloca-se do controle para o fortalecimento da autonomia e da responsabilidade compartilhada. Paralelamente, os achados também evidenciaram desafios significativos. Entre eles, destacam-se a resistência de alguns líderes em descentralizar o poder decisório, bem como a dificuldade em manter a qualidade e a consistência das rotinas de governança previstas no modelo. Esses obstáculos indicam que a transição para estruturas autogeridas demanda não apenas mudanças operacionais, mas também transformações culturais e comportamentais por parte da liderança. Diante desse cenário, observa-se que a liderança eficaz em contextos de autogestão exige um novo repertório de competências, pautado em empatia, escuta ativa, confiança mútua, comunicação transparente e orientação contínua. Ao evidenciar esses elementos, o estudo contribui para o avanço do conhecimento teórico sobre liderança em equipes autogerenciáveis e, ao mesmo tempo, oferece subsídios práticos para organizações que buscam adotar ou consolidar modelos baseados em maior autonomia e corresponsabilidade entre seus membros.

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