Influências das usinas hidrelétricas estruturantes em indicadores sociais, econômicos e educacionais no Brasil
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Data
2026-01-13
Autores
Orientador(res)
Réquia Júnior, Weeberb João
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Resumo
Esta dissertação quantifica as influências multidimensionais de oito usinas hidrelétricas estruturantes (>1.000 MW) sobre indicadores sociais, econômicos e educacionais de municípios brasileiros durante o período 1991-2010. Emprega metodologia quase-experimental com 16.695 observações municipais distribuídas em três censos demográficos, organizadas em sete dimensões do desenvolvimento humano e 225 variáveis censitárias. A estratégia analítica utiliza o método Difference-in-Differences (DiD) com efeitos fixos municipais e temporais, distinguindo fases de construção e operação dos empreendimentos. Como inovação metodológica, introduz o constructo Delta (Δ) ≡ ATT(Operação) – ATT(Construção) para quantificar trajetórias temporais e identificar dimensões com efeitos transitórios versus permanentes. Os resultados revelam padrão complexo caracterizado por quatro legados consolidados e quatro desafios gerenciáveis que evidenciam dinâmicas temporais sistemáticas. O Legado de Longevidade apresenta ganhos de 3,14 anos em expectativa de vida ao nascer entre 1991-2010, com ATT de 3,14 anos na fase de operação e redução de 22,76 pontos percentuais na mortalidade infantil, configurando padrão de amplificação com Delta de 0,0157 pontos no IDHM-Longevidade. O Legado de Emprego Pleno Persistente demonstra redução sustentada do desemprego de 6,10 pontos percentuais em ambas as fases, com Delta nulo indicando persistência estrutural. O Legado de Universalização Infraestrutural evidencia ganhos de 20,45 pontos percentuais em coleta de lixo e 19,22 pontos percentuais em saneamento básico após pressão temporária na fase de construção. O Legado de Revitalização Rural reverte o êxodo rural nacional com acréscimo de 24.571 habitantes nas áreas rurais, contrariando tendência de esvaziamento observada no grupo controle. Os quatro desafios gerenciáveis incluem pressão temporária sobre educação com ATT de - 0,78 anos na expectativa de anos de estudo durante construção e recuperação progressiva na operação, dinâmica de renda caracterizada por boom temporário na construção com ATT de R$ 160,42 revertendo-se em ATT negativo de -R$ 102,80 na operação com Delta de -R$ 263,22 característico de economias de enclave, transição na qualidade do trabalho com ganhos quantitativos coexistindo com perdas qualitativas na formalização com Delta de -7,66 pontos percentuais, e deterioração cumulativa sútil no IDHM geral com Delta de -0,0075 pontos entre fases. Três mecanismos causais subjacentes explicam a heterogeneidade dos resultados: assimetria temporal entre fases de construção e operação, efeitos de composição populacional via migração seletiva, e defasagem temporal entre investimentos em infraestrutura física e maturação de indicadores sociais. As limitações incluem foco exclusivo em dimensões censitárias quantificáveis, ausência de variáveis ambientais e culturais, e impossibilidade de capturar efeitos redistributivos intramunicipais. A contribuição teórica reside na demonstração empírica de que megaprojetos hidrelétricos geram simultaneamente legados permanentes e desafios gerenciáveis cujos desfechos dependem fundamentalmente de políticas públicas antecipadas, diferenciadas por dimensão e fase, baseadas em evidências de trajetórias completas.
