Ensaios em restrições financeiras de empresas e suas variáveis determinantes
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Data
2025-12-17
Autores
Orientador(res)
Colombo, Jéfferson Augusto
Chague, Fernando Daniel
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Resumo
O tema restrições financeiras tem recebido cada vez mais espaço na literatura acadêmica econômica e de finanças. Dentre as abordagens de maior relevância, aparecem os estudos relacionados à política monetária e ciclos econômicos, performance de empresas, sensibilidade do investimento ao fluxo de caixa e ao processo de inovação empresarial. Apesar de uma ampla quantidade de estudos sobre o tema, ainda não existe um consenso sobre qual a melhor proxy para identificar a restrição financeira de uma empresa, fazendo com que diversos indicadores e variáveis sejam identificados em meio aos estudos sobre o tema. Com intuito de abordar esta questão, a presente tese está composta de dois ensaios. No primeiro ensaio, apresentamos uma revisão sistemática de literatura sobre o tema restrições financeiras de empresa, buscando apresentar uma revisão geral sobre o assunto, as metodologias de classificação e os índices de restrição apresentados pelos estudos acadêmicos. Os resultados encontrados evidenciam a ausência de consenso em relação ao indicador ou variável utilizados como proxy para restrição financeira de empresas. Dentre os 120 artigos analisados, foram encontradas 21 diferentes variáveis e 4 diferentes modelos de índices de restrições financeiras. A proxy mais utilizada é a variável tamanho, seguida pelo endividamento/alavancagem, fluxo de caixa e idade. Ao longo do tempo, verifica-se a redução da utilização da variável fluxo de caixa e evolução das variáveis tamanho e idade. Dentre os índices, KZ é o mais utilizado, seguido de WW e SA. No segundo ensaio, realizamos uma análise quantitativa a partir da base de indicadores financeiros de empresas de médio e grande porte, buscando avaliar as variáveis que representam as melhores proxies de restrição financeira. Dentre as 16 variáveis utilizadas no estudo, indicadores de rentabilidade (ROA), margem (EBITDA/EBIT), liquidez (liquidez corrente) e alavancagem (dívida líquida/EBITDA) se destacaram como as mais relevantes para explicar a restrição financeira. Um modelo sintetizado com estes indicadores manteve o grau de explicação elevado e em patamares próximos ao modelo com a totalidade das variáveis. Adicionalmente, variáveis de tamanho e tempo/idade, amplamente utilizadas na literatura atual, acabaram sendo menos relevantes na relação com as restrições financeiras das empresas. Os resultados do presente estudo sugerem que o caminho adotado pela literatura para classificação de empresas como restritas financeiramente talvez não seja o mais adequado, apontando um caminho alternativo com variáveis que apresentam maior nível de explicação.
