A mulher na negociação de fusões e aquisições: presença, destaque e habilidades

Data
2022-03-09
Orientador(res)
Carmo, Lie Uema do
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Resumo

A presença e destaque da mulher ainda é muito incipiente em espaços mais sofisticados em que há exercício de poder, seja na política, no Judiciário, no mundo corporativo e na advocacia. Essa realidade se repete quando o contexto é a liderança na negociação de fusões e aquisições. Nesse sentido, a presente pesquisa busca investigar o nível de presença e destaque da mulher na negociação de operações de fusões e aquisições, assim como de que forma mulheres e homens se comportam quanto a habilidades de negociação quando lideram esse tipo de negócio. Adicionalmente, procura-se entender os principais desafios da mulher para seguir essa carreira e se manter nela, além de possíveis vantagens em ampliar a diversidade de gênero nesse ambiente, com base nas habilidades de negociação testadas. O cenário de fusões e aquisições foi escolhido devido à alta complexidade desse tipo de operação e à escassez de estudos que enfoquem ao mesmo tempo gênero e habilidades de negociação nesse contexto. É feita, assim, pesquisa quantitativa no mercado da advocacia brasileira para a investigação da presença e destaque da mulher, por meio de consulta ao site de 26 escritórios de advocacia ranqueados pelo Chambers Latin America em M&A/Corporate em 2020, cruzando a proporção de sócias/sócios nessa área versus a proporção destes advogados ranqueados por tal guia. Chegou-se à presença de 31% de sócias em tais escritórios, face ao ranqueamento de apenas 10% dessas no guia. Conduz-se também pesquisa qualitativa por meio de entrevista semiestruturada de 11 profissionais de renome da área de fusões e aquisições, para, além de aprofundar o nível de presença e destaque da mulher, incluindo seus desafios na carreira, testar as cinco principais habilidades de negociação eleitas por Andrea Kupfer Schneider – intuição social, empatia, flexibilidade, ética e assertividade –, de maneira a entender o desempenho e possíveis ganhos com a inclusão da mulher liderando negociações de fusões e aquisições, além de apresentar e correlacionar os resultados com a crítica à visão essencialista de gênero. Concluiu-se que o nível de presença e destaque da mulher é baixo e que a sobrecarga dessa com a maternidade e cuidado doméstico é a principal barreira que explica esse cenário. Além disso, a flexibilidade e a empatia foram as principais habilidades de negociação observadas quando houve o sucesso de operações de fusões e aquisições (significando o fechamento da operação) lideradas tanto por homens quanto por mulheres, tendo as mulheres se sobressaído em tais habilidades, o que também pode ter relação com a presença de estereótipos. Diante desse resultado, emerge a questão do porquê a presença e destaque da mulher se mantém baixa mesmo apresentando as habilidades mais observadas quando houve sucesso dessas operações. A resposta foi encontrada na teoria feminista, que apresenta motivos históricos que levaram à divisão do trabalho produtivo do reprodutivo doméstico, à desvalorização e atribuição deste trabalho reprodutivo doméstico à mulher, somada à ausência de políticas públicas que amparem e valorizem esse trabalho, dentro de uma lógica capitalista cada vez mais neoliberal.


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