Childless cat ladies and their learning community: a digital ethnography on coding and intersectionality
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Data
2025-08-04
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Orientador(res)
Pozzebon, Marlei
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Resumo
O setor de tecnologia do Brasil oferece oportunidades substanciais com salários 2,8 vezes superiores à média nacional (Brasscom, 2023). No entanto, apesar das mulheres representarem 51% da população, elas constituem apenas 39% da força de trabalho em TIC e representam 47% dos casos de evasão em cursos de ciência da computação (Brasscom, 2022; INEP, 2018). Essas disparidades são ainda mais pronunciadas para mulheres negras e/ou trans e travestis, com 72% deste último grupo não concluindo o ensino médio e apenas 0,02% acessando o ensino superior (ANTRA, 2022). Bootcamps de programação seguindo um modelo Ready-to-Work surgiram como potenciais soluções para essas lacunas de gênero e raça. A {reprograma} é um exemplo disso; uma organização feminista que oferece bootcamps de programação gratuitos para mulheres em situação de vulnerabilidade, com um foco em mulheres negras e/ou trans e travestis, para abordar as disparidades na indústria de tecnologia do Brasil. Esta pesquisa investiga como uma abordagem interseccional influencia a construção de capacidades entre as participantes da {reprograma} e examina como a natureza coletiva do programa afeta suas experiências. Utilizando etnografia digital feminista que prioriza as experiências vividas das participantes, o estudo desenvolve uma estrutura de assemblage de uma pedagogia codificada, combinando insights de Taylor (2009) e Beltrán (2023). Baseando-se na teoria feminista interseccional (Gonzalez, 1984, 1988; Crenshaw, 1989; Carneiro, 2003), performatividade de gênero (Butler, 1990) e abordagem de capacidades (Sen, 1999; Mormina, 2019), a pesquisa emprega uma estrutura analítica dupla: o front-end apresenta tanto uma análise de conjuntura quanto um contexto teórico mais amplo; e o back-end oferece insights detalhados sobre os mecanismos do programa através de um stack de quatro camadas, inspirado no conceito de “ethno-stack” de Beltrán, examinando-se assim como a interseccionalidade opera através das dimensões sociopolítica, sociotécnica, pessoal e interpessoal. O título se refere às childless cat ladies (as ‘loucas dos gatos’ ou as ‘tias dos gatos’) tanto como estereótipo quanto como uma esperança compartilhada. Primeiro, como visto ao longo desta tese, há um ajuste literal, já que muitas participantes são realmente tutoras de gatos. Segundo, esse estereótipo foi ressignificado por feministas desde o movimento sufragista como uma forma de resistência contra a feminilidade tradicional. Portanto, em sua essência, a referência às childless cat ladies também aponta para uma esperança compartilhada entre as participantes: que independentemente de suas escolhas de vida – gatos ou filhos, nem um nem outro, ou ambos – elas buscam coletivamente a capacidade de forjar novos caminhos dentro e além do setor de tecnologia. A análise revela como a construção coletiva e interseccional de capacidades possibilita agência individual e formação de comunidade entre participantes minorizadas. Ao integrar as abordagens front-end e back-end em uma análise full-stack, o estudo demonstra como as estratégias de treinamento interseccional da {reprograma} fomentam tanto o desenvolvimento individual de habilidades quanto o empoderamento coletivo, adaptando conceitos de capital social de bonding e bridging (Putnam, 2000/2020). Esta análise full-stack abrangente fornece novos insights sobre estratégias interseccionais para educação em tecnologia e suas implicações sociopolíticas mais amplas.
