Zombie firms no Brasil: fragilidade financeira, contágio setorial, pandemia de covid-19 e recuperação judicial

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Data
2025-09-23

Orientador(res)

Sampaio, Joelson Oliveira
Silva, Vinicius Augusto Brunassi

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Resumo
Este estudo investiga a prevalência e os impactos das zombie firms no Brasil, definidas como empresas que permanecem em operação apesar de apresentarem fragilidade financeira crônica, baixa rentabilidade e elevada dependência de crédito. Com base em dados trimestrais de 375 companhias listadas na B3 entre 2010 e 2024, a análise combina regressões em painel com efeitos fixos, modelos de contágio intrasetorial e a abordagem de Diferenças em Diferenças (DiD), de modo a capturar tanto os efeitos diretos da zumbificação sobre indicadores financeiros das próprias firmas quanto os impactos indiretos sobre concorrentes mais saudáveis. Os resultados revelam que a presença de zombie firms no Brasil é estrutural, e não meramente cíclica, com forte concentração em setores regulados e intensivos em capital, como energia elétrica, comércio, vestuário, transporte e construção civil. Ademais, a discrepância entre a incidência de firmas zumbis e o número de pedidos formais de Recuperação Judicial sugere a persistência de fragilidades ocultas, compatíveis com a hipótese de zombie lending. A pandemia de COVID-19 atuou como catalisador, intensificando vulnerabilidades financeiras, ainda que políticas emergenciais de crédito tenham prolongado artificialmente a sobrevivência dessas empresas. Em conjunto, as evidências indicam que as zombie firms comprometem investimentos, elevam custos financeiros e fragilizam a dinâmica competitiva, representando riscos sistêmicos para a alocação de crédito, a eficiência setorial e a resiliência da economia brasileira.

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