A bienal dos rótulos: o declínio da arte?

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2024-09-19

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A arte contemporânea, enquanto manifestação cultural, frequentemente se encontra no cerne de debates acerca de sua autenticidade e valor intrínseco. A crítica de que a arte contemporânea está se tornando uma "bienal dos rótulos" - onde a originalidade é sacrificada em prol da comercialização e da inserção em circuitos pré-determinados - levanta questões importantes sobre a relação entre arte, mercado e poder. Este artigo busca explorar a hipótese de que há um estreitamento temático-estético da arte contemporânea é resultado do achatamento de tendências estimulado por um afunilamento de grandes conglomerados comerciais e plataformas de publicação e venda de arte que podem acelerar um ritmo de horizontalidade e homogeneização na captação de pautas com potencial crescentemente mercadológico. Uma das nossas reflexões basilares neste âmbito é que há uma tendência contemporânea desse foro de debate mais amplos sobre pautas e mobilização estética ocorrerem na fronteira entre arte e política, ou seja como a estetização de pautas com elementos representativos legítimos que se vêm apropriados e aplicados posteriormente em um potencial de nuance mais comercial. Assim, igualmente com essa elaboração, visa discorrer sobre o horizonte de base de interface entre Arte e Política. Em uma última etapa utilizaremos tabelas temáticas para ilustrar um recorte para abstração de padrões e tendências em serviços internacionais como Artsy e outras plataformas de vendas de arte contemporânea e anuários de estudos mercadológicos de arte no segmento primário e secundário, com dados já existentes (Renneboog, 2017). Buscamos nisso propor um estudo crítico para verificar se há um achatamento ou horizontalidade temática de várias amostragens de artistas nesses veículos, assim entrando em nosso debate narrativo mais amplo, do equilíbrio entre autoralidade e tendências de mercado, ou no como um foro de falas culturais e políticas se afunila em uma dada tendência comercial. Nossa análise assim será composta de duas etapas: uma revisão e reflexão teórica sobre a interface entre Política e Cultura na apropriação de pautas, direcionando as para dinâmicas de mercado, onde, em uma segunda etapa, analisaremos o aspecto mercadológico com recorte mais específico.

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