A dança da moda: Luiz Gonzaga como mediador cultural (1946-1954)
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Data
2020-04-29
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Mattos, Marco Aurélio Vannucchi Leme de
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Resumo
Este trabalho analisa o desenvolvimento das representações musicais e simbólicas do cantor e compositor pernambucano Luiz Gonzaga do Nascimento, durante a quarta e quinta década do século XX. Através da sua mediação cultural na fase áurea do baião (1946-1954), o sanfoneiro elevou a temática sertaneja a nível nacional e demonstrou trocas de experiências entre utilizações de tradições de origem e aspectos da sua memória afetiva na explosão de um fenômeno sonoro. A elaboração de discursos para a construção de um imaginário de Nordeste, apesar de construídos na metrópole, fez a música gonzaguiana conquistar espaço no mercado fonográfico brasileiro, ao alinhar sua forma inédita de hibridização cultural, divulgando matrizes regionais e renovando urbanamente o gênero musical baião cujas relações tornaramse referências coletivas de representatividade nordestina em negociação identitária com o seu ouvinte. Assim, o início da sua trajetória artística nos permite avaliar alguns contextos no ambientes sociais e políticos que permeiam das primeiras excursões dos primeiros grupos musicais regionais nordestinos até o inovador interesse da indústria cultural na sua produção de viés regionalista, amplamente difundido pelo rádio e pela imprensa carioca, alcançando vários círculos sociais e econômicos. Nesse sentido, a integração pensada entre a comunicação pelo rádio e a cultura popular nordestina transformaram o gênero elaborado por Gonzaga e outros parceiros em afirmação sonora e visual nacional, eternizado como herança musical do artista no âmbito do patrimônio cultural brasileiro.
