Electoral coordination under Brazilian OLPR
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Data
2025-06-10
Autores
Orientador(res)
Avelino Filho, George
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Resumo
A representação proporcional de lista aberta (OLPR) é frequentemente considerada o mais fragmentado e personalista entre os sistemas eleitorais — tendo o Brasil como seu caso mais extremo. Narrativas canônicas sustentam que a coordenação entra em colapso em distritos de alta magnitude (M), nos quais o fraco controle partidário, o agrupamento de votos em listas e as restrições informacionais minam o comportamento estratégico. Esta dissertação contesta essa visão. Defendo que, sob OLPR, a coordenação não apenas é possível, como também observável — motivada por candidatos viáveis que buscam expurgar rivais intra-lista e por partidos que alocam sistematicamente recursos àqueles que preferem ver eleitos. A magnitude distrital é central: em distritos de baixa M, limiares elevados para a conquista de cadeiras acentuam hierarquias dentro das listas; em contextos de alta M, a maior volatilidade nas posições de ranking intensifica os incentivos à filtragem pré-eleitoral. Com base em um painel original em nível de candidato que abrange todas as disputas legislativas federais entre 1998 e 2022, combino análise descritiva, especificações com efeitos fixos e modelos de regressão logística para mostrar que, apesar dos enormes contingentes de candidatos, os votos se concentram sistematicamente em um pequeno subconjunto de concorrentes viáveis — aqueles que partidos e elites apoiam e financiam antes do dia da eleição. Esses padrões revelam como as elites sinalizam viabilidade ex ante, restringindo a competição efetiva a poucos nomes. O sistema de OLPR brasileiro, longe de ser caótico, reflete uma lógica oculta, porém decisiva, de coordenação partidária e de elites antes mesmo de os eleitores chegarem às urnas.
