Museu-território, turismo-resistência: política pública, ação pública e narrativas sobre o esquecimento e a memória
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Data
2022-02-11
Autores
Orientador(res)
Farah, Marta Ferreira Santos
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Resumo
Esta dissertação nasce da intersecção entre os campos de estudo de Política Pública, de Patrimônio Cultural e Memória e de Discursos e Narrativas a fim de interpretar ações de valorização de patrimônios culturais mobilizadas pelo coletivo político-cultural Comunidade Cultural Quilombaque. Atuante no bairro de Perus, zona noroeste do Município de São Paulo, desde 2005, a Quilombaque se mostra um polo aglutinador de diversas manifestações artísticas e políticas e de outros grupos do território. No campo do Patrimônio Cultural, a partir da consolidação do Museu Territorial Tekoa Jopo’i e da Agência Queixadas, elaboraram um percurso de trilhas que perpassam os patrimônios das gentes do bairro. São memórias difíceis: a luta indígena pela terra, o abandono de bens ferroviários, a maior greve operária que tomou lugar durante a ditadura civil-militar, o desaparecimento de vítimas da violência do Estado, a crise ambiental e a negligência do poder público na garantia de direitos básicos à população. Argumenta-se que o coletivo, em sua ação cultural, consegue articular a denúncia de situações precárias com o anúncio das potencialidades presentes no território de Perus. Em relação especificamente à sua atuação no campo da Memória, coloca-se que o Museu e o território se confundem, pois transformam em museu o próprio território, enquanto que o turismo da Agência é feito sob o signo da resistência. A mediação simbólica promovida pelos educadores do Museu faz emergir narrativas de luta eclipsadas pelas políticas oficiais de patrimônio cultural. Entendendo essa manifestação como uma das múltiplas linguagens do público agir publicamente e a partir do estudo da contra-narrativa mobilizada pela Quilombaque, a pesquisa procura tecer considerações sobre os limites das ações estatais de patrimonialização, bem como caracterizar quais são as diferenças e inovações que o Museu e a Agência trazem para os campos de estudo de Política Pública e de Patrimônio Cultural.
