Liderança tóxica: uma análise multidimensional

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Data
2025-12-21

Orientador(res)

Sant’Anna, Anderson de Souza

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O presente estudo tem como propósito analisar efeitos e formas de mitigação da liderança tóxica no contexto organizacional contemporâneo, compreendendo-a como um fenômeno relacional e sistêmico que afeta a saúde psicológica, o engajamento e a coesão das equipes de trabalho. Ao longo das últimas décadas, o avanço de modelos de gestão centrados em resultados, a intensificação da competitividade e a fragilização dos vínculos interpessoais têm contribuído para o surgimento de práticas de liderança baseadas no controle, na manipulação e na pressão excessiva por desempenho. Nesse cenário, compreender como essas dinâmicas se manifestam e identificar estratégias de prevenção e mitigação torna-se essencial para o fortalecimento ético e humano das organizações. Para tanto, é conduzida pesquisa quantitativa de caráter descritivo, realizada por meio da aplicação de questionário estruturado em escala Likert de sete pontos, aplicado a profissionais de diferentes setores e níveis hierárquicos. O instrumento foi organizado em cinco domínios principais: comportamentos tóxicos da liderança, clima de medo e segurança psicológica, percepção de justiça, bem-estar psicológico e intenção de rotatividade. Essa estrutura possibilitou examinar as inter-relações entre as variáveis, permitindo identificar padrões consistentes de associação entre a presença de comportamentos abusivos e a deterioração do ambiente organizacional. Os resultados indicaram que a percepção de liderança tóxica está fortemente associada à redução do bem-estar e do engajamento, bem como ao aumento da intenção de rotatividade e ao enfraquecimento da sensação de justiça e pertencimento. Em termos gerais, verificou-se que quanto maior a frequência de práticas de microgestão, manipulação e autoritarismo, menor o nível de satisfação, comprometimento e equilíbrio emocional dos profissionais. Além disso, os dados evidenciaram que contextos organizacionais mais hierarquizados e competitivos tendem a intensificar os efeitos destrutivos da liderança, enquanto ambientes baseados na confiança e no diálogo favorecem a contenção e a transformação dessas dinâmicas. A partir da análise dos achados, o estudo propõe a noção de holdership como lente integradora e alternativa ética à liderança tradicional. Essa perspectiva desloca o foco do comando para a sustentação simbólica, entendendo o papel do líder como aquele que mantém o espaço coletivo, promove segurança psicológica e favorece a expressão do outro. Assim, o poder deixa de ser instrumento de dominação e passa a ser um meio de cuidado, presença e corresponsabilidade. O holdership, nesse sentido, constitui uma proposta de regeneração das práticas de liderança, orientando o desenvolvimento de gestores capazes de sustentar vínculos, construir sentido e promover ambientes emocionalmente saudáveis. Em termos práticos, o estudo aponta três eixos de intervenção: diagnóstico, desenvolvimento e cultura. O primeiro envolve a identificação de comportamentos abusivos e de seus impactos por meio de instrumentos e indicadores específicos. O segundo refere-se à formação de lideranças conscientes, com ênfase na escuta empática e na maturidade emocional. O terceiro diz respeito à construção de culturas organizacionais baseadas na confiança, na ética e na valorização do diálogo. Juntas, essas dimensões constituem o alicerce para a mitigação da toxicidade e a promoção de formas mais humanas e colaborativas de gestão. Por fim, reconhecese que o estudo apresenta limitações inerentes ao seu delineamento transversal e à natureza não probabilística da amostra, o que restringe a generalização dos resultados. Ainda assim, seus achados oferecem bases sólidas para a continuidade de pesquisas que aprofundem a compreensão do fenômeno, especialmente por meio de abordagens longitudinais, qualitativas e interculturais. Em síntese, o estudo reafirma que a liderança tóxica não é apenas um problema individual, mas um reflexo de estruturas organizacionais adoecidas e de culturas que naturalizam o sofrimento como preço da performance. Ao introduzir o conceito de holdership, o trabalho propõe uma nova ética da liderança, centrada na escuta, na sustentação e no cuidado um caminho de transformação possível para organizações que desejam alinhar resultados à preservação da dignidade humana.

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