Reshoring, friendly-shoring, target-shoring: dreaming is free but development is not

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2023-06-12

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Dependendo do ponto de vista, a década de 1980 pode ser considerada o período de início do fenômeno das Cadeias Globais de Valor (GCVs) intensas e sofisticadas. As GCVs se espalharam pelo mundo e adquiriram padrões complexos, com uma cadeia de um dado produto podendo envolver vários países em diferentes continentes. Preocupações de segurança e políticas, ampliadas por inúmeros eventos e "descobertas" durante a pandemia de COVID, gradualmente trouxeram à tona a ideia de que um movimento de contrapartida era necessário, limitando o escopo das GCVs a territórios amigáveis, próximos ou controlados. Os conceitos de reshoring e friendly-shoring começaram a ser discutidos como medidas para garantir "GCVs seguras", que assegurariam maior robustez e talvez a autonomia do núcleo produtivo de um país. Analisamos essas tendências recentes, com ênfase na região Atlântica. Três clusters subregionais são identificados: os EUA, a UE e o Reino do Atlântico Sul – aqui entendido como a África Ocidental, a área do Caribe (até o México) e a América do Sul. Seus fluxos comerciais globais e as dependências e relações subsequentes são analisados sob a lógica das GCVs, juntamente com hipóteses sobre as mudanças prováveis. Mesmo dentro dessa perspectiva, o papel dos fluxos externos, particularmente para/de a partir da Ásia e, notavelmente, da China, não pode ser ignorado. A Seção 2 discute decisões de redesenho da cadeia de valor à luz de sua viabilidade e custo-benefício; a abordagem é qualitativa. A Seção 3 tenta fornecer as primeiras evidências sobre mudanças prováveis, com uma tentativa preliminar de incorporar evidências quantitativas. As decisões podem dificultar o desenvolvimento ou restringi-lo a caminhos menos otimizados. A Seção 4 discute as consequências, enfatizando se essas mudanças poderiam significar um sério retrocesso nas tendências necessárias para o aprimoramento tecnológico e o desenvolvimento — especialmente para o Brasil e grupos semelhantes ao Mercosul, ou, de forma mais ampla, o Atlântico Sul. A Seção 5 conclui, destacando que, em geral, qualquer mudança significativa deve ocorrer entre os atores do Norte e o hub asiático, com impacto reduzido sobre o Reino do Atlântico Sul. No entanto, uma medida lateral, com resultados positivos, é sugerida. Considerar as possibilidades de reshoring, friendly-shoring ou target-shoring é algo gratuito, mas muitas vezes suas consequências serão negativas, até mesmo para a economia que iniciou o processo. A autossuficiência e a autonomia parecem sonhos impossíveis no complexo e múltiplo espaço de produção internacional de hoje. As realidades geopolíticas nunca estiveram ausentes da política comercial e industrial: a implicação disso não é que elas devam ditar as decisões, mas sim que os países devem se esforçar, tanto quanto possível, para manter um equilíbrio entre essas decisões e as restrições relacionadas às alianças geopolíticas.

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