Há geração de valor nas decisões de aplicações e resgates dos investidores em fundos de investimentos no Brasil?
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Data
2022-06-29
Autores
Orientador(res)
Glasman, Daniela Kubudi
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Resumo
O objetivo deste trabalho é tentar identificar se os investidores geram valor em suas escolhas de alocação entre gestores e fundos de investimentos, supondo que suas movimentações acontecem dentro da classe de ativos estudada. A principal referência metodológica foi o trabalho de (Stewart, Neumann, Knittel, e Heisler, 2009), que demonstrou que os fundos de pensão não geraram valor com a escolha de gestores e que este processo merece uma revisão de metodologia. Utilizando a base de dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para colher dados como características, fluxos e rentabilidades de Fundos de Investimentos em Ações (FIAs) e de Fundos de Investimentos Multimercado (FIMs), não é possível rejeitar a hipótese de que, no Brasil, não é diferente e os investidores obtêm resultados piores com as suas decisões de alocação (aplicações e resgates) feitos ao longo do tempo, nestes fundos. Os resultados mostram que de 45 simulações feitas para os FIAs, entre 2006 e 2021, em 84% delas as carteiras de fundos que sofreram os maiores resgates obtiveram, em média, retornos 1,5% a.a. melhores e nível de risco marginalmente menor do que as carteiras de fundos que receberam as maiores aplicações. Em apenas uma simulação a carteira de fundos que receberam os maiores resgates perdeu do Ibovespa, que serviu de benchmark para os fundos de ações. Por outro lado, em 18 simulações, as carteiras dos fundos que receberam as maiores aplicações, perderam do mesmo índice. Para os FIMs são 36 simulações, entre 2010 e 2021, mas o estudo se mostrou inconclusivo. Quando o horizonte do estudo é reduzido para janelas mais curtas, como 24 e 48 meses, os números indicam o resultado esperado em 72% das 18 simulações, com retornos 0,5% a.a. maiores e nível de risco significativamente menor para a carteira de fundos que receberam os maiores resgates, sobre a carteira de fundos que receberam as maiores aplicações. Conclui-se que os investidores poderiam rever seu processo de avaliar gestores e executar as aplicações e resgates em busca de melhorar seus resultados, porque a forma como fazem isso atualmente sugere perda de valor e maior nível risco.
