Coworking: uma construção discursiva do trabalho em torno de mecanismos de poder biopolítico

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Data
2019-05-30
Orientador(res)
Fontenelle, Isleide Arruda
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Resumo

Este estudo examina de que forma o coworking pode ser compreendido como uma construção discursiva sobre o trabalho em torno de mecanismos de poder biopolítico. Observamos poucos estudos, na literatura internacional, que se propuseram a apresentar uma articulação entre os mecanismos de poder biopolítico (FOUCAULT, 2008b) com o campo do trabalho e das organizações (FLEMING, 2012; 2014; MUNRO, 2012), não havendo estudos sobre tal temática em âmbito nacional. Partindo dessa lacuna, a presente pesquisa pretende identificar e analisar os discursos sobre os espaços de coworking que evidenciam um determinado ethos neoliberal (HAMANN, 2009; ROSE e MILLER, 2012; ROSE, 2011) que se impõe sobre a vida dos indivíduos, conduzindo-os conforme preceitos de uma nova razão governamental, de indivíduo como empresa de si e portador de um capital humano. Para demonstrar como esse processo é construído, por meio de análise documental de três fontes (site de coworking, site da Associação Brasileira de Coworking e revista Exame) e análise de discurso, adotamos dois aspectos da arte de governar (MILLER e ROSE, 2012; ROSE, 2011): as racionalidades (relacionadas ao modo de representar o objeto de análise, tornando-o cognoscível, calculável e administrável) e os mecanismos (relacionados aos aspectos que modelam, normalizam e instrumentalizam a conduta, o pensamento, as decisões e as aspirações das pessoas). A análise revelou, por meio de categorias e formações discursivas, os aspectos subjetivos intrínsecos ao conceito de coworking e à construção do sujeito “coworker”, um indivíduo autônomo, empresário de si mesmo, sujeito a um ethos neoliberal que coloca a sua subjetividade a serviço de uma racionalidade econômica.


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