Reordenando os fluxos financeiros para a transformação ecológica: análise crítica das ferramentas de investimento da plataforma BIP
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Data
2025-12-04
Autores
Orientador(res)
Bresciani, Luís Paulo
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Resumo
As mudanças climáticas representam um dos maiores desafios da humanidade, exigindo a reorientação dos fluxos financeiros globais e nacionais para viabilizar uma transição ecológica efetiva. Neste contexto, o presente trabalho tem como objetivo analisar a evolução das ferramentas de investimento da Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica (BIP) e propor recomendações para os atores envolvidos. A questão de pesquisa que orienta o estudo é: “Como se caracteriza a configuração das ferramentas de investimento da BIP e quais são as ferramentas de maior volume de recursos mobilizados?”. Para respondê-la, foram adotados métodos qualitativos, com abordagem aplicada e descritiva, fundamentados em análise documental e bibliográfica. As ferramentas analisadas incluem: Debêntures Incentivadas, Eco Invest Brasil, Fundo Clima, Letras de Crédito do Desenvolvimento (LCDs), Taxas de juros competitivas e Títulos Soberanos Sustentáveis. A pesquisa identificou que, até junho de 2025, a BIP registrou 15 projetos com potencial de investimento de aproximadamente R$ 120 bilhões (US$ 22,4 bilhões). A análise crítica revelou avanços significativos, como a integração institucional entre ministérios, a diversidade e complementaridade dos instrumentos financeiros, e o alinhamento da BIP com as metas climáticas da NDC brasileira e o planejamento público. Contudo, persistem desafios estruturais, como a necessidade de consolidação da Taxonomia Sustentável Brasileira, a necessidade de maior participação do setor privado, a fragmentação regulatória e a limitada rastreabilidade dos recursos mobilizados. Como contribuição, o estudo apresenta recomendações aos principais atores envolvidos para fortalecer a governança, ampliar a escala e garantir a efetividade da BIP, além de refletir sobre a lacuna entre a literatura internacional de financiamento climático e a realidade brasileira, enfatizando a ampliação da produção científica nacional e do Sul Global.
