Eleições municipais nas redes: panorama do primeiro mês da disputa eleitoral para as prefeituras nas capitais brasileiras

Resumo
O presente estudo investiga como os candidatos à prefeitura nas 26 capitais brasileiras que realizam eleições em 2024 vêm mobilizando as redes sociais para se conectar com potenciais eleitores. A pesquisa tem como recorte temporal o primeiro mês da campanha eleitoral, de 16 de agosto a 16 de setembro, e analisa postagens de quatro plataformas: Instagram, Facebook, TikTok e YouTube. Foram mapeados 191 candidatos e candidatas1 das capitais brasileiras, resultando em 581 perfis monitorados nas quatro plataformas e 45,6 mil postagens coletadas nesse intervalo. Além de avaliar o desempenho dos candidatos nas redes sociais, o estudo destaca as estratégias de comunicação mais eficazes e os principais temas abordados pelos prefeitáveis nas diferentes plataformas. Os dados ressaltam a centralidade do Instagram para as campanhas digitais dos candidatos, uma vez que a rede concentra 91,4% do total de engajamento entre as plataformas observadas - com ênfase para vídeos no formato reels, que correspondem a 88,2% das 500 postagens com mais interações na rede. O TikTok vem em seguida, respondendo por 6,8% das interações, enquanto o Facebook e o YouTube detêm 1% e 0,7% montante de interações analisadas, respectivamente. É interessante pontuar a disparidade observada no engajamento entre os candidatos a partir de marcadores geográficos e de gênero. Os candidatos de São Paulo, por exemplo, detêm 81,6% das interações totais observadas, com predomínio atípico do candidato Pablo Marçal (PRTB) em quase todas as plataformas. Na disparidade de gênero, por sua vez, as mulheres apresentam desvantagem nas interações direcionadas às suas postagens, criando um distanciamento em termos da visibilidade de suas campanhas em relação aos candidatos homens. Apesar da provável relação desses dados com fatores já conhecidos, como o fato de São Paulo constituir o maior colégio eleitoral do país e de haver uma maioria de candidatos homens, os dados apontam para desigualdades estruturais no cenário político digital. Em proporções menores do que São Paulo, no entanto, candidatos de capitais do Nordeste e do Norte registraram alto desempenho em engajamento considerando as especificidades de suas campanhas, sobretudo nomes de Fortaleza, Recife e Belém. Por fim, a partir de uma metodologia de modelagem de tópico, direcionada a todas as postagens dos candidatos no Instagram, foi possível mapear os principais assuntos mobilizados por eles nesta rede. Postagens relacionadas à religiosidade e à família foram preponderantes, sugerindo uma estratégia de mobilização dos eleitores a partir de vinculações a valores tradicionais e afiliações religiosas. Para além desse tema, esportes, animais, violência política, retórica antissistema e eventos climáticos, entre outros tópicos, estiveram em evidência na comunicação digital dos candidatos.

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