O impacto na economia brasileira e mundial do fim do desmatamento no Brasil: uma abordagem econômica por meio de modelo de equilíbrio geral
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Data
2018-09-10
Autores
Orientador(res)
Gurgel, Angelo Costa
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Resumo
As preocupações com as mudanças climáticas têm crescido e o aumento nas emissões dos gases de efeito estufa (GEEs) em decorrência de ações humanas é apontado como a principal causa de tais mudanças. O Brasil é uma grande potência no agronegócio mundial e detentor de biomas cujo papel é determinante no equilíbrio climático global. O país é o sétimo maior emissor mundial de GEEs e a mudança no uso da terra tem sido, historicamente, a maior fonte dessas emissões. Esse trabalho busca avaliar, por meio da utilização de um modelo de equilíbrio geral computável, de que forma o fim do desmatamento ilegal na Amazônia Legal até o ano de 2030 impacta a economia brasileira e mundial tendo em vista um eventual efeito sobre a produção agropecuária do Brasil. Os resultados obtidos mostram que com a implementação de políticas de restrição a área agrícola segue uma trajetória de crescimento semelhante em todos os cenários avaliados e, para que as áreas de vegetação e florestas naturais sejam menos afetadas, a pecuária tem sua área e produção reduzidas. Os resultados sinalizam aumento de eficiência e de intensificação na agropecuária. A produção pecuária se reduz de forma pouco expressiva, limitando-se a 2,3% e 3,6% de queda em relação ao cenário base estabelecido para os anos de 2030 e 2050, respectivamente, no cenário mais restritivo de políticas. A produção agrícola também tem variação negativa pouco expressiva. O custo de adoção das políticas de controle do desmatamento e o custo dos investimentos em melhoria de eficiência e de intensificação da agropecuária tem impacto pouco relevante sobre a atividade do país e sobre o bem-estar geral das famílias, já que o PIB e o consumo agregado brasileiros reduzem menos de 0,10% em todos os cenários e períodos avaliados. A emissão de CO2 de mudanças no uso da terra reduz em todos os cenários e o modelo sinaliza que o Brasil conseguiria cumprir as metas de redução definidas no Acordo de Paris, embora a partir de 2030 a emissão de GEEs advinda de outras fontes pode prejudicar a trajetória de queda nas emissões totais. Os efeitos sobre a economia global são praticamente irrelevantes para todas variáveis avaliadas.
