Imaginários sobre a inteligência artificial no debate digital brasileiro
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2024-07
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Resumo
Quais os sentidos e imaginários mobilizados quando se fala em Inteligência Artificial? Há estigmas, medos e grandes expectativas? Quais os temas mais predominantes? Existem perfis que se destacam? Este estudo parte destas questões, traçando um panorama acerca da Inteligência Artificial no debate público digital no Brasil. Considerando o período de 1º de janeiro a 31 de maio de 2024, este relatório parte de uma base com pouco mais de 365 mil posts (184.573 no Facebook, 139.761 no X e 40.940 no Instagram), focando nos tópicos de discussão temática, nos principais perfis e nos imaginários otimistas ou pessimistas associados à IA. Esse esforço de pesquisa se justifica pelo entendimento de que as plataformas de redes sociais, enquanto espaços de interação social, também configuram-se como arenas para discutir, moldar e disputar percepções sobre os desafios éticos, aplicações cotidianas e o potencial transformador da IA. De início, o estudo destaca um forte teor utilitarista vinculado à IA. No X e no Instagram, os eixos temáticos de maior volume estiveram associados a serviços ou produtos disponibilizados a partir da Inteligência Artificial (20,40% no X e 47,48% no Instagram). Este viés, contudo, foi mapeado não apenas entre empresas de tecnologia, mas também entre setores governamentais, instituições públicas e autarquias, explicitando uma certa “corrida” pela implementação da IA tanto no setor público quanto no privado. Essa disputa tem relação direta com o modo como a IA vem sendo pautada: de modo majoritariamente positivo e enquanto uma solução para problemas diversos. Dados do Instagram demonstram que, entre a amostra analisada, 41,02% carregam um teor otimista, enquanto apenas 7,77% são pessimistas. Os posts que adotam uma perspectiva mais neutra ou ponderada são maioria, representando 42,36% das publicações mapeadas. Diversos setores participaram ativa e intensamente dessas discussões. No Facebook, foram cerca de 12 mil perfis ou páginas, que geraram 3,7 milhões de interações, enquanto no Instagram, os números foram ainda mais significativos, com cerca de 14 mil páginas e 45 milhões de interações. Em ambos, os perfis que mais se destacam no debate sobre IA estão vinculados à disseminação de notícias e informações, como veículos de mídia tradicionais e portais hiperpartidários no Facebook, e páginas de fofoca e entretenimento no Instagram. De início, estes achados podem evidenciar distinções com outras pesquisas, como o recente levantamento Brazil Forum UK que, a partir de entrevistas com brasileiros maiores de 18 anos, destaca percepções pouco otimistas relacionadas à IA no país. A diferença em relação aos achados deste estudo explicitam um possível descompasso entre a percepção geral dos cidadãos em relação à IA e o debate digital sobre o tema. Assim, embora os brasileiros possam acreditar que “a inteligência artificial, amplamente definida, não é uma parte relevante de suas vidas”, conforme sinalizou a supracitada pesquisa, a dimensão comercial e utilitarista, perpassada por um senso de otimismo, é o que emerge do debate no ambiente digital.
