Hackeando o sistema: desafios e oportunidades na implementação da liderança sustentável

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Data
2025-07-08

Orientador(res)

Tonelli, Maria José

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Embora o discurso da sustentabilidade esteja presente nas organizações, sua implementação prática ainda enfrenta ceticismo, resistência à mudança e ambiguidade institucional. Esta dissertação parte da observação de que, mesmo nesse cenário, há uma força discreta em ação: lideranças intermediárias que atuam como agentes de transformação silenciosos e estratégicos. O estudo investiga como esses profissionais, mesmo sem uma solicitação formal para atuar neste sentido contribuem para incorporar a agenda ESG no cotidiano das empresas. A abordagem metodológica apoiou-se na Grounded Theory construtivista e foi conduzida de maneira iterativa e sensível à experiência vivida, com base em entrevistas em profundidade com líderes intermediários de diferentes setores econômicos e áreas funcionais. Os achados revelam a emergência de uma agency situada — entendida como a capacidade dos atores de agir estrategicamente em contextos ambíguos, articulando passado, presente e futuro (Emirbayer & Mische, 1998). Tal forma de agency é marcada por sensibilidade política, construção de narrativas estratégicas e coerência ética. Em tais contextos, esses líderes mobilizam redes informais, reconfiguram significados e experimentam práticas sustentáveis sem depender de mandatos explícitos. A pesquisa propõe um modelo interpretativo de agency silenciosa e destaca o papel estratégico da liderança intermediária como elo entre propósito e prática organizacional. Ao fazê-lo, amplia a compreensão da liderança sustentável, concebendoa não como prerrogativa exclusiva da alta gestão, mas como uma prática distribuída, situada e acessível a diferentes níveis hierárquicos. Mais do que meros executores, estes profissionais atuam como hackers organizacionais — expressão aqui empregada para descrever práticas criativas, situadas e muitas vezes silenciosas, que reconfiguram normas estabelecidas, ressignificam sentidos institucionais e inserem princípios sustentáveis em zonas organizacionais cinzentas (Mantere, 2008; Lawrence & Suddaby, 2006). Ao identificar brechas simbólicas, traduzir valores em ação e ampliar o campo do possível, esses líderes revelam que a transformação sustentável pode vir da coragem cotidiana de quem escolhe agir — mesmo sem respaldo explícito do sistema.

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