Análise comparativa entre as principais demandas de saúde populacional e a atividade de pesquisa e desenvolvimento da indústria farmacêutica

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Data
2023

Orientador(res)

Fonseca, Elize Massard da

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Este trabalho analisou o nível de alinhamento da atividade de pesquisa e desenvolvimento da indústria farmacêutica com as principais demandas de saúde populacional do Brasil, bem como globais, com informações de regiões do mundo agrupadas por nível de renda. Foram coletados dados de pesquisas ativas de novos medicamentos no banco de dados do ClinicalTrials.gov – um dos bancos de dados públicos mais abrangentes e confiáveis sobre estudos clínicos registrados internacionalmente – entre 2017 e 2021, pelas vinte maiores indústrias farmacêuticas globais do ano de 2020, os quais foram classificados por áreas terapêuticas e suas relativas cargas de doença medidas por DALYs (Anos de Vida Ajustados por Incapacidade, na sigla em inglês) no ano de 2016. Aplicou-se um coeficiente de correlação para mensurar as principais discrepâncias entre necessidades de saúde e concentração de pesquisas. A correlação entre as principais cargas de doença do Brasil e as pesquisas farmacêuticas foi considerada moderada. Todavia, na visão mundial da análise, a correlação foi considerada baixa, sendo que, quanto menor o nível de renda da região, menor a correlação, tendo ela sido moderada apenas em regiões de média-alta e alta renda. Os resultados apontam que algumas áreas terapêuticas concentram excesso de estudos frente à tendência de necessidades de saúde em DALYs, enquanto outras permanecem carentes de inovação. Este trabalho traz à tona a necessidade de reflexão sobre os principais motivadores da indústria farmacêutica no processo de pesquisa e desenvolvimento, bem como repensar seu papel social. Mostra também a importância das discussões entre setor público e privado para alinhamento de interesses e a consequente busca de sustentabilidade do mercado farmacêutico. Governantes devem propor políticas públicas que facilitem o investimento em pesquisas em áreas de saúde prioritárias, ao mesmo tempo que indústrias farmacêuticas devem executar estratégias para equilibrar de forma consciente seus pipelines de lançamentos, de forma a melhor atender demandas de saúde populacional.

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