Atração e retenção de mulheres no setor portuário: um estudo de caso em um terminal de veículos no porto de Santos

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Data
2026-02-26

Orientador(res)

Sant’Anna, Anderson

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Os portos brasileiros, estrategicamente distribuídos ao longo do litoral, concentram a maior parte da movimentação de cargas do país, desempenhando papel central na exportação e importação de matérias-primas, produtos agrícolas, minerais e manufaturados essenciais ao funcionamento da economia nacional. Nesse contexto, constituem infraestruturas fundamentais para o comércio exterior, ao conectar o Brasil às cadeias globais de produção, gerar divisas, contribuir para o equilíbrio da balança comercial e viabilizar o acesso a bens de consumo e tecnologia. Historicamente configurados como espaços predominantemente masculinos, os ambientes portuários vêm passando por transformações graduais, impulsionadas tanto pela modernização tecnológica quanto pelo reconhecimento crescente da importância da equidade de gênero e da competência feminina no setor logístico-portuário. Apesar desses avanços, a participação feminina no setor portuário permanece limitada, especialmente em funções operacionais e posições de liderança, refletindo desigualdades estruturais persistentes no mercado de trabalho. Mesmo diante da modernização portuária, ainda se observam formas de precarização do trabalho feminino, associadas à materialidade das operações, aos riscos à saúde e à segurança, bem como à inadequação de infraestruturas concebidas a partir de um padrão masculino de trabalhador. Nesse cenário, a atração e, sobretudo, a retenção de mulheres configuram-se como desafios estratégicos da gestão de pessoas, exigindo práticas organizacionais que ultrapassem o recrutamento e promovam condições sustentáveis de permanência e desenvolvimento profissional. Diante desse contexto, este artigo tem como objetivo compreender e analisar os fatores de atração e retenção de mulheres em um terminal de veículos localizado no Porto de Santos, a partir da percepção das próprias trabalhadoras. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de natureza descritiva, operacionalizada por meio de um estudo de caso. A coleta de dados foi realizada mediante a aplicação de um roteiro estruturado de entrevistas, respondido por 16 colaboradoras da organização investigada, que tinha um total de 28 mulheres. Os dados foram tratados por meio de análise de conteúdo. Os resultados indicam que a escolha pela organização está fortemente associada à sua reputação institucional e, sobretudo, às oportunidades de crescimento e desenvolvimento profissional oferecidas, mesmo em um contexto marcado pela baixa representatividade feminina em cargos operacionais e de liderança. As participantes apontam, ainda, a necessidade de adequações na infraestrutura organizacional, especialmente no que se refere a banheiros, uniformes e equipamentos, como condição fundamental para a permanência feminina no setor. A qualificação e o preparo profissional contínuo emergem como competências centrais para o sucesso das mulheres na logística portuária. Embora persista um longo percurso para a consolidação da equidade de gênero nos portos brasileiros, os achados evidenciam avanços relevantes e indicam que a ampliação da presença feminina no setor constitui um processo em curso, com potencial de inspirar novas gerações interessadas em atuar na logística portuária.

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