Regulamento europeu para produtos livres de desmatamento: combate ao desmatamento ou regulação extraterritorial e sua aplicação à soja brasileira

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Data
2025-11-24

Orientador(res)

Porto, Antônio José Maristrello

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A dissertação, ao analisar, em perspectiva de desenho institucional e de incentivos, uma opção regulatória concreta — o Regulamento Europeu sobre o Desmatamento (REUD) — e seus efeitos sobre cadeias globais de commodities, se insere diretamente na linha de pesquisa Economia, Intervenção e Estratégias Regulatórias. A pesquisa aplica a perspectiva econômica à análise dos sistemas de incentivos, da distribuição de ônus regulatórios e dos impactos das escolhas normativas na reconfiguração de mercados, processos de barganha e custos de conformidade. Essa abordagem articula-se ao eixo da sustentabilidade enquanto valor jurídico e corporativo, explorando as intersecções entre regulação ambiental, política comercial no âmbito da OMC e políticas públicas setoriais. A abordagem prioriza alternativas à regulação unilateral, ancoradas em governança transnacional e experimentalismo regulatório, coerentes com a vocação da linha para soluções adaptativas e coordenação entre entidades reguladoras e atores privados em ambientes de inovação. O problema de pesquisa consiste em examinar se e em que medida o REUD, enquanto regulação unilateral e extraterritorial, é proporcional, eficaz e juridicamente compatível com o regime de comércio internacional e com princípios de justiça ambiental, à luz de seus impactos econômicos e institucionais nos países em desenvolvimento. O Marco teórico fundamenta-se nos princípios do Direito Internacional Ambiental — em especial o Princípio das Responsabilidades Comuns, mas Diferenciadas (RCMD) — e na Análise Econômica do Direito (AED) para avaliar a distribuição de ônus regulatórios, incentivos e potenciais externalidades, além de dialogar com a literatura de governança transnacional e experimentalismo regulatório. O método de trabalho adota abordagem teóricoempírica com análise normativa e crítica do REUD, articulada a evidências de mercado (AGROSTAT e Portal de Informações Agropecuárias) sobre cadeias de commodities — com foco na soja — para aferir efeitos em termos de reconfiguração de mercados, poder de barganha e disponibilidade de terras já desmatadas; complementa-se com teste de compatibilidade jurídica frente ao RCMD e às normas da OMC. Os resultados mostram reconfiguração do mercado global de soja, com declínio do poder de barganha da União Europeia, e colocam em xeque a proporcionalidade da aplicação do REUD à soja brasileira diante da disponibilidade de terras já desmatadas. O estudo qualifica o REUD como expressão de regulação extraterritorial e de jurisdição ampliada, delineando seus limites jurídico-comerciais e potenciais riscos de conflitos comerciais e de falhas de governo — tópicos centrais para a linha, por evidenciarem ponderações de desenho regulatório, custos de conformidade, efeitos concorrenciais e a necessidade de coordenação interdisciplinares.

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