Desinformação e obstrução climática da indústria de óleo e gás: o caso da exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas

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Data
2025-04-03

Orientador(res)

Fernandes, Gustavo Andrey de A. L.

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Está documentado que o setor de óleo e gás vem atuando de maneira estratégica para adiar a transição energética com o uso de desinformação e estratégias discursivas específicas que desencorajam e obstruem a ação climática. Partindo de contribuições de pesquisas que analisaram estratégias mobilizadas no Norte Global, o presente trabalho se volta à Amazônia, especificamente ao projeto de exploração do bloco FZA-M-59, localizado a 175 km de Oiapoque (AP), na Bacia da Foz do Amazonas. O processo de licenciamento ambiental para a atividade de perfuração do bloco foi iniciado há dez anos, mas apesar de todo esse tempo, o diálogo e a consulta às partes interessadas, especialmente povos indígenas e comunidades tradicionais, são apontados como ausentes ou insuficientes. Os riscos e impactos socioambientais atrelados ao empreendimento constituem outro ponto crítico em função da elevada sensibilidade ambiental da região, formada por ecossistemas únicos. Finalmente, há também questionamentos quanto à pertinência de abrir uma nova fronteira exploratória de petróleo e gás no atual quadro de emergência climática. Considerando esse contexto, a pesquisa se propôs a responder primeiramente como vem sendo comunicado o projeto de exploração do bloco FZA-M-59 pela Petrobras para depois analisar a presença de abordagens desinformativas e discursos mobilizados para adiar e obstruir a ação climática. Partindo da indicação de ausência de diálogos com as comunidades e povos tradicionais, a pesquisa também se propôs a responder como a ideia do projeto reverbera nos territórios. A revisão de literatura cobriu trabalhos sobre desinformação e, mais precisamente, sobre desinformação climática, e ainda sobre enquadramentos e estratégias discursivas usadas pelo setor de óleo e gás. Estabeleceu-se que seria um trabalho alinhado à tradição das pesquisas sociais construtivistas, baseado em pesquisa qualitativa e tendo como estratégias de investigação a realização de entrevistas e pesquisa documental. Os dados coletados, analisados e interpretados revelaram quais são os três enquadramentos predominantes na comunicação do projeto pela Petrobras e ainda identificaram a presença tanto de desinformação como de discursos de adiamento da ação climática. As entrevistas, por sua vez, trouxeram evidências de como o projeto está sendo apresentado no Amapá, quais são as percepções locais sobre ele e de que maneira as justificativas que estão sendo apresentadas se alinham ou divergem do que pensa a população local.

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