A dinâmica dos Assets of Foreignness após um choque regulatório: evidências da geração de energia eólica e solar no Brasil

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Data
2026-02-24

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Sheng, Hsia Hua

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Este estudo investiga se e como os Assets of Foreignness (AOF) das empresas multinacionais se alteram ao longo do tempo diante de mudanças institucionais relevantes. Especificamente, analisa-se se empresas estrangeiras atuantes no subsetor de geração de energia eólica e solar no Brasil mantêm desempenho superior em relação às empresas nacionais após o choque regulatório associado à intensificação do curtailment a partir de 2023. Utiliza-se uma base de dados em painel composta por empresas nacionais e estrangeiras que operam no subsetor de geração de energia eólica e solar no Brasil no período de 2021 a 2024. A estratégia empírica baseia-se em modelos de regressão com dados em painel, permitindo comparar o desempenho relativo das empresas antes e após o choque regulatório. O desempenho é mensurado por meio das métricas ROA, ROE e ROIC, controlando-se por características financeiras das firmas e por fatores institucionais do país de origem, como qualidade da governança corporativa e distância psíquica. Os resultados indicam que, no período pré-curtailment, empresas estrangeiras apresentam desempenho relativamente superior na análise descritiva, consistente com a presença de vantagens associadas à estrangeiridade. Contudo, essa vantagem não se sustenta de forma estatisticamente robusta no período posterior ao curtailment, evidenciando um processo de convergência competitiva entre empresas nacionais e estrangeiras. Os achados sugerem que os AOF são dinâmicos e sensíveis a choques institucionais, sendo progressivamente enfraquecidos pela elevada padronização tecnológica, pela homogeneidade contratual e pelo amadurecimento institucional do mercado brasileiro. Como limitação, o estudo analisa um horizonte temporal relativamente curto, refletindo a recente intensificação do curtailment, o que abre espaço para pesquisas futuras que explorem períodos mais longos, outros mercados emergentes ou estratégias de adaptação adotadas pelas empresas diante de choques regulatórios. O trabalho contribui para a literatura ao demonstrar empiricamente que os Assets of Foreignness são contingentes e dinâmicos, respondendo a choques institucionais em um setor regulado e estratégico para a transição energética, além de oferecer implicações para gestores e formuladores de políticas ao indicar que vantagens associadas à estrangeiridade podem se enfraquecer em ambientes regulatórios maduros e tecnologicamente padronizados.

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