Essays on climate, health and development

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Data
2025-09-17

Orientador(res)

Castro, Rudi Rocha de

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Garantir cobertura universal de saúde é uma meta global. No entanto, os sistemas de saúde estão cada vez mais vulneráveis a choques ambientais e sociais. O sistema de saúde brasileiro oferece um estudo de caso importante, por meio do qual é possível analisar como desafios climáticos e sociais, como é o caso da sazonalidade ambiental e declínio vacinal, impactam saúde e capital humano. Esta tese investiga essas dinâmicas por meio de três ensaios. Os dois primeiros ensaios analisam os efeitos da sazonalidade dos rios na Amazônia brasileira, revelando como diferentes estações do ano impõem riscos de saúde distintos. O primeiro ensaio mostra que a estação chuvosa aumenta a mortalidade por doenças não transmissíveis, enquanto a estação seca aumenta as mortes por causas externas. O segundo ensaio documenta que a exposição pré-natal à estação seca leva a desfechos adversos ao nascer, incluindo maior mortalidade infantil. Ambos os estudos demonstram que o acesso à saúde é, também, influenciado pela sazonalidade fluvial, revelando-se um mecanismo indireto fundamental que conecta fatores ambientais aos resultados de saúde. O terceiro ensaio analisa como o declínio da cobertura vacinal desencadeou o ressurgimento do sarampo no Brasil. Usei a imigração de venezuelanos para o Brasil durante o período de surto de sarampo na Venezuela. O choque migratório expôs municípios com variados graus de vacinação ao sarampo. O estudo revela que as consequências negativas para a saúde e a educação decorrentes do surto concentraram-se em municípios com baixa cobertura vacinal pré-existente. Este resultado mostra que os custos sociais da migração não são inevitáveis, mas sim criticamente condicionais à preparação em saúde pública da população receptora. Juntos, estes ensaios fornecem evidências empíricas sobre a vulnerabilidade dos sistemas universais de saúde a choques externos. Eles ressaltam que o acesso à saúde é um mediador fundamental dos resultados de saúde e que uma infraestrutura de saúde pública robusta, cobrindo desde programas de vacinação a um sistema de saúde resiliente a variações ambientais, é crucial para proteger a população frente aos desafios globais climáticos e sociais.

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