História, memória e utopia nos documentários em primeira pessoa das cineastas herdeiras do exílio

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Data
2021-04-12

Orientador(res)

Blank, Thaís Continentino

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A construção do passado histórico das ditaduras militares tem sido marcada pela valorização da dimensão subjetiva da memória, capaz de expressar dores, traumas e frustrações. Neste processo, o cinema documentário tem ocupado um lugar de destaque na medida em que incorpora determinados testemunhos e imagens e os divulga para um público mais amplo, possuindo a capacidade de intervir nas disputas pelo passado das ditaduras militares no presente. Esta pesquisa, portanto, investiga os vínculos entre história, memória e utopia através da análise dos filmes de autoria feminina Allende, meu avô Allende (Chile, 2015), Diário de uma busca (Brasil, 2011) e Encontrando a Víctor (Argentina, 2005), realizados por cineastas “herdeiras do exílio”, parte de uma segunda geração que possui uma memória particular dos acontecimentos e cuja experiência de exilada e as rupturas vivenciadas foram consequência de laços familiares e não de intervenções políticas. Dessa maneira, o trabalho pretende identificar o uso de imagens de arquivo pessoais e públicas e a sobreposição das camadas históricas e particulares como procedimento documental parte de uma tendência que ressignifica o passado histórico através da experiência íntima. Considerando a irrupção da primeira pessoa no cinema documentário como parte de uma transformação cultural mais ampla, a pesquisa levanta questões acerca da crise da relação entre história e utopia e sua influência nas produções documentais contemporâneas latino-americanas, que assumem as derrotas históricas como ponto de partida de sua investigação retrospectiva e se debruçam sobre como esses fenômenos afetam os indivíduos.

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