Nova Iguaçu em transe: jornalismo, política e visões de cidade (1945-1964)
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Data
2021
Orientador(res)
Maia, João Marcelo Ehlert
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Resumo
Esta tese discute a relação entre jornalismo, cidade e modernização social em um território periférico. Ela tem por objeto as disputas entre os semanários Correio da Lavoura e Correio de Maxambomba, bem como a trajetória de seus proprietários, entre os anos 1946 e 1964. Fundado em 22 de março de 1917 por Silvino Hypóltio de Azeredo Coutinho, no distrito-sede iguaçuano, o semanário Correio da Lavoura nasceu da iniciativa de um letrado negro inserido no seio da elite local. Tendo a lavoura, a higiene e a instrução como lema, o proprietário fundador fez do seu jornal uma plataforma capaz de reverberar as demandas e iniciativas em torno da citricultura, principal atividade econômica de Nova Iguaçu entre os anos 1920 e 1940. Silvino de Azeredo escreveu a história de sua família nas páginas do hebdomadário, de forma que imagens e textos de seus descendentes agenciassem um modelo bem-sucedido do ser negro na sociedade iguaçuana. Já o Correio de Maxambomba foi fundado por Dionísio Bassi em 18 de dezembro de 1955, com o objetivo de descrever as mudanças socioeconômicas e políticas em curso no município de Nova Iguaçu, com destaque para fenômenos como os loteamentos, as migrações e a industrialização nascente. Bassi integrou jornais da capital federal e fez de sua experiência no Partido Comunista Brasileiro (PCB) um trampolim para vida política iguaçuana. Vereador eleito pelo Partido Social Democrático (PSD) por dois mandatos (1946-1949/1955-1958), promoveu a ideia de uma cidade pautada no desenvolvimentismo e no atendimento de pautas populares. A tese lança mão de um conjunto variado de fontes primárias para reconstruir a história dessa tensão entre elites tradicionais e modernas, com destaque para as coleções existentes desses semanários, entrevistas de História Oral, consultas a arquivos locais e acervos policiais.
