Como a inteligência artificial reforça a discriminação de gênero no ambiente de trabalho

Data
2019
Orientador(res)
Fabris, Lígia
Hartmann, Ivar A.
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Resumo

Estamos entrando em uma nova fase de representações estereotipadas, e ainda não sabemos como a sociedade deve encará-las. Tecnologias de inteligência artificial são utilizadas para tomadas de decisão acerca de diversos aspectos de nossas vidas. Hoje, algoritmos automatizados definem até mesmo as relações de trabalho e a empregabilidade de alguém. No entanto, esses sistemas de tomada de decisão incorporam vieses de diferentes formas, fazendo com que discriminações sociais sejam reproduzidas em escala por máquinas, sem que tenhamos conhecimento acerca dos seus objetivos, funcionamentos e inputs. Para mulheres, essas novas formas de discriminação podem reforçar a divisão sexual do trabalho, de forma que a relevância social dos papeis atribuídos às mulheres (relacionados com a satisfação de homens) seja retomada a partir do uso de inteligência artificial em processos seletivos. Mesmo diante da incerteza dos efeitos, a automatização da contratação de pessoal é uma tendência atual, e empresas como a HireVue oferecem até mesmo serviços de entrevistas preditivas em vídeos para facilitar e reduzir o tempo de duração de processos de contratação. No presente trabalho, apresento as formas pelas quais o emprego dessas tecnologias pode reforçar a discriminação contra mulheres no mercado de trabalho, utilizando como principal caso de estudo a tecnologia da HireVue. Por ser um debate ainda tímido no Brasil, o objetivo principal é apenas fornecer uma compreensão geral de como ocorre a reprodução de vieses de gênero a partir do emprego de tecnologias de inteligência artificial.


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