EMBRAPII: da inovação institucional à ativação das capacidades dinâmicas do setor público

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Data
2025-12-19

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Grin, Eduardo José

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Esta tese de doutorado analisa como intermediários públicos de inovação podem ativar capacidades dinâmicas no setor público em contextos de elevada incerteza tecnológica e fragmentação institucional. Parte-se do diagnóstico de que o Estado brasileiro enfrenta dificuldades para orquestrar processos complexos de inovação e de que faltam modelos analíticos e métricas capazes de observar, de forma sistemática, como essas capacidades se manifestam nas organizações públicas. O objetivo central é investigar como a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII), enquanto intermediária pública de inovação, combina e integra rotinas de sense-making (SM), connecting (CN) e shaping (SH) para desenvolver capacidades dinâmicas, identificando os microfundamentos organizacionais que sustentam essa ativação. Adota-se um desenho de métodos mistos, sequencial-explanatório (QUAL–QUAN), e uma abordagem multinível. No nível estratégico, realizam-se análise documental de contratos de gestão, relatórios, atas e manuais institucionais, além de 11 entrevistas com dirigentes e conselheiros, para reconstruir a trajetória institucional e mapear rotinas da sede. No nível operacional, aplica-se um survey a 41 coordenadores de Unidades EMBRAPII vinculadas a ICTs públicas, utilizando um instrumento de 24 itens que operacionaliza SM, CN e SH em microfundamentos observáveis. Os dados qualitativos são tratados por meio de análise de conteúdo temática dirigida, e os dados quantitativos são examinados por meio de estatísticas descritivas, alfa de Cronbach, correlações de Spearman e análise de clusters. Os resultados mostram que a EMBRAPII constitui um arranjo institucional híbrido singular, baseado em regime de Organização Social, cofinanciamento tripartite e governança multissetorial para aproximar ciência e indústria. No plano das capacidades dinâmicas, a análise revela uma assimetria na ativação das rotinas: CN e SH emergem como mais robustas e disseminadas, enquanto SM permanece relativamente frágil e concentrado em núcleos técnicos. No nível operacional, as unidades apresentam escores elevados de SH, correlações significativas entre SH e desempenho (projetos com empresas, recursos captados) e entre CN e diversidade de parcerias, ao passo que SM registra menor ativação e menor variação entre as unidades. Com base na análise estatística, a tese propõe uma tipologia de maturidade das capacidades dinâmicas em três estágios (emergente, intermediário e avançado), que expressa trajetórias diferenciadas de acúmulo de SM, CN e SH e permite avaliar, de forma comparativa, o grau de institucionalização das rotinas em cada unidade. Conclui-se que as capacidades dinâmicas no setor público não são abstrações, mas rotinas concretas que podem ser desenhadas, mensuradas e aperfeiçoadas. A experiência da EMBRAPII indica que combinação entre autonomia gerencial, cofinanciamento e governança em rede permite ao Estado aprender, articular atores e reconfigurar estruturas para enfrentar missões tecnológicas complexas, oferecendo um modelo analítico, um instrumento de mensuração e uma tipologia de maturidade replicáveis em outros contextos.

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