Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas: como conciliar os objetivos de desenvolvimento sustentável com as operações de serviços hospitalares?
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Data
2023-05-12
Autores
Orientador(res)
Araujo, Claudia Affonso Silva
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Resumo
Os grandes desafios ambientais e sociais enfrentados pela sociedade contemporânea estão intrinsecamente relacionados às de décadas de transgressão à mãe natureza. Questões como fome, desigualdade, desmatamento e mudanças climáticas atualmente estão no topo das discussões internacionais, sendo abordadas dentro do tópico de sustentabilidade. Uma prova disso é a aprovação da resolução “Transformando nosso mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável” pela Assembleia Geral das Nações Unidas. A Agenda 2030 possui 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas de desenvolvimento específicas que buscam potencializar parcerias entre governos, corporações e sociedade civil em prol de uma agenda comum para o desenvolvimento sustentável. O setor de saúde, mais especificamente os hospitais, é um dos que mais gera impacto no meio ambiente por ter grande consumo de energia e água e por produzir mais de 3 milhões de toneladas de resíduos anualmente. Apesar disso, ainda existem poucos estudos realizados associando o desenvolvimento sustentável a esse setor. A ausência é ainda maior quando se fala de países subdesenvolvidos como o Brasil. Neste contexto, este trabalho visa ampliar o rol de pesquisas existentes ao responder à seguinte pergunta geral: Como conciliar os ODSs com as operações de serviços hospitalares? Para isso foi realizado um estudo exploratório, de natureza qualitativa, utilizando entrevistas em profundidade com 8 profissionais gestores, em hospitais privados associados à Associação Nacional dos Hospitais Privados (ANAHP) e com 9 especialistas e pesquisadores em sustentabilidade e operações sustentáveis. Considerando as entrevistas realizadas, evidenciou-se uma confusão entre filantropia, ESG e ODSs na fala dos gestores, apontando para uma necessidade de explanação sobre os 17 ODSs no setor e necessidade da criação de uma agenda setorial. Outra contribuição foi trazer a percepção dos entrevistados em relação aos relatórios de sustentabilidade. Apesar de bem construídos, há a percepção de que são utilizados como estratégia de marketing e de “convencimento” para os investidores. Revelar a necessidade de quebrar os ODSs em metas intermediárias voltadas ao que pode ser feito pelas instituições de saúde também é uma das contribuições desse trabalho. Essa pesquisa corroborou os resultados anteriores quanto à percepção dos entrevistados de que os ODSs ainda não estão suficientemente disseminados na gestão do setor de saúde, dificultando a tomada de ações que sejam conscientemente voltadas a eles.
