“Tudo por conta própria”:
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2021-01
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Resumo
Este artigo discute o resultado da análise de 10 aplicativos móveis de autocuidado psicológico utilizados
no Brasil, que denominamos PsiApps. A análise se desdobra em duas camadas: uma ‘visível’, que envolve
os discursos dos próprios aplicativos para descrever os problemas que visam solucionar, suas promessas
e seus métodos; outra ‘invisível’, que inclui formas automatizadas de coleta e compartilhamento de dados
dos usuários pelos aplicativos. Veremos como a ênfase na individualidade e na autonomia manifesta na
primeira camada torna opaca uma série de mediadores presentes na segunda camada, em grande parte
invisíveis para o usuário. O contraste entre a centralidade da agência individual promovida pelos discursos
dos PsiApps e o caráter relacional da infraestrutura e do ecossistema de dados que os integram evidenciam
as contradições da autonomia ofertada por esses aplicativos.
