Brasileiros e estrangeiros na construção de um cotidiano organizacional intercultural

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Data
2010-02-09
Orientador(res)
Freitas, Maria Ester de
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Resumo

Esta pesquisa investigou a construção de um cotidiano organizacional intercultural a partir da convivência entre brasileiros e estrangeiros em três organizações multinacionais que possuem sedes administrativas em Curitiba-Pr. A interação entre profissionais cria um cotidiano intercultural que é constituído de aspectos estruturais como as relações hierárquicas, o processo decisório, a metodologia de trabalho e os indicadores de desempenho. Também é formado por aspectos subjetivos e informais que englobam a percepção e o compartilhamento de valores e normas, os elementos do relacionamento inter e intrapessoal, a negociação e a gestão de conflitos, a motivação e o comprometimento. As referências teóricas foram formadas por uma base interdisciplinar que contou com contribuições da Psicologia Social, Sociologia, Antropologia e História para interpretação e análise do cotidiano, além dos fundamentos e pesquisas do campo dos Estudos Organizacionais, especificamente sobre a administração intercultural. A pesquisa foi do tipo exploratório e descritivo, de abordagem qualitativa e interpretativista. O método empregado foi a etnometodologia, pois ela visa o conhecimento e interpretação de um grupo de indivíduos acerca de suas interações e atividades cotidianas. Foi utilizada a entrevista semi-estruturada como instrumento principal de coleta de dados. Ao todo, foram realizadas trinta e três entrevistas com três tipos de respondentes: a) gestores de mobilidade internacional; b) profissionais estrangeiros; e c) profissionais locais que convivem com estrangeiros no ambiente de trabalho. Também foram coletados documentos oficiais das três organizações que tratavam de suas diretrizes oficiais e suas políticas de mobilidade internacional. Foram encontradas representações, estratégias e táticas comuns as três organizações, bem como alguns aspectos específicos de cada cotidiano organizacional. Concluiu-se que quanto mais o indivíduo participa de ambientes multiculturais e de interações interculturais, mas ele trata com desembaraço as questões ligadas às rotinas de trabalho e a convivência com chefias, subordinados e colegas de outras culturas. Isto reforça o conceito de mobilidade como capital apresentado por Freitas (2009). Este tipo de interação demanda abertura e desprendimento, principalmente quando em missão internacional, na qual o indivíduo precisa adaptar comportamentos e costumes. As missões internacionais auxiliam no processo de capacitação intercultural dos profissionais e no desenvolvimento de competências culturais no que diz respeito à melhoria da leitura do cenário organizacional e de negócios; à superação de preconceitos culturais e forma etnocêntrica de ver o mundo, o trabalho e as pessoas; à condução de ações derivadas de estratégias globais; ao entendimento das capacidades e limitações dos outros e as suas próprias; ao entendimento e aceitação das diferentes formas de perceber as tarefas cotidianas de trabalho. Isto ocorre não somente com aqueles que aceitam o desafio de viver no estrangeiro, mas também com aqueles que recebem estes profissionais e com eles convivem cotidianamente.


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