Eleições municipais nas redes: 1º turno da disputa eleitoral para prefeitura nas capitais brasileiras
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2024-10-05
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Com o crescimento das redes sociais como arena fundamental para a disputa eleitoral no Brasil, as eleições municipais de 2024 oferecem um novo olhar sobre as práticas comunicacionais e estratégias políticas que permeiam as disputas locais. Em um país marcado por profundas desigualdades regionais e um consumo cada vez maior de conteúdos nas redes, o eleitor tem se aproximado mais do espaço digital, ao mesmo tempo em que as candidaturas buscam se aproximar da estética e dominar as estratégias comunicacionais do ambiente digital. A influência dessas plataformas não só redefine a maneira como os candidatos se comunicam com os eleitores, mas também traz novos desafios para a integridade democrática, especialmente em um cenário de alta polarização e desinformação. Partindo dessa perspectiva, esse estudo da FGV Comunicação Rio tem como recorte temporal o período de 16 de agosto a 03 de outubro de 2024, analisando as postagens dos candidatos à Prefeitura das 26 capitais brasileiras que disputam eleições neste ano, em quatro plataformas: Instagram, Facebook, TikTok e YouTube. Os resultados apontam que o Instagram foi o centro da comunicação eleitoral digital no primeiro turno, concentrando 44,7% das postagens políticas. A plataforma, com seu foco em conteúdos visuais, favorece candidatos capazes de produzir conteúdos virais e facilmente compartilháveis, destacando a importância do domínio da linguagem das plataformas nas campanhas. A pesquisa também revelou fortes disparidades regionais, de gênero e raça. O Sudeste, com São Paulo à frente, liderou em produção de conteúdo e interação, enquanto as capitais do Norte mostraram baixos níveis de engajamento, refletindo desigualdades no acesso digital. Em termos de gênero, o ambiente político digital foi amplamente dominado por homens, perpetuando dinâmicas já presentes no cenário
offline. A sub-representação de candidatos pretos e pardos também se manifestou nas redes, evidenciando a reprodução das desigualdades raciais que se fazem tão presentes no dia a dia da maior parte da população brasileira.
