Which country will be the next one to escape the middle-income trap?
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Data
2025-12-05
Autores
Orientador(res)
Silva, Marcos Fernandes Gonçalves da
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Resumo
Esta dissertação investiga quais países de renda média estão mais bem posicionados, em comparação com seus pares, para ascender à condição de economias de alta renda, evitando assim a chamada armadilha da renda média. O trabalho integra modelos econômicos, como os de Lewis e Solow, com uma análise empírica baseada em dados de 2019 referentes aos países classificados como de renda média pelo Banco Mundial. Com base na revisão da literatura, foram selecionadas diversas variáveis apontadas como essenciais para evitar a armadilha da renda média. De acordo com a mensurabilidade das variáveis e a disponibilidade dos dados, foram escolhidas as seguintes: desenvolvimento financeiro, investimento estrangeiro direto (IED), flexibilidade do mercado de trabalho, dotação de recursos naturais, dinâmica populacional, política comercial, gastos em educação, capacidade de inovação e qualidade institucional. Cinco dos seis Worldwide Governance Indicators foram resumidos, por meio de uma análise fatorial pelo método de eixos principais, em um único fator destinado a representar a qualidade institucional; o indicador de governança excluído foi considerado individualmente como variável independente. A etapa seguinte da estratégia empírica envolveu uma análise de regressão linear multivariada, na qual as variáveis explicativas foram padronizadas em escores-z. Na regressão, a variável dependente (e a única não padronizada) é o logaritmo natural do GDP per capita. O modelo identificou quais regressores foram estatisticamente significativos e suas respectivas magnitudes sobre o logaritmo natural do GDP per capita. Desenvolvimento financeiro, FDIs, flexibilidade do mercado de trabalho, recursos naturais e população (variáveis listadas em ordem decrescente de acordo com os valores dos coeficientes estimados) mostraram-se estatisticamente significativos. Em seguida, foi realizada uma análise de agrupamento em duas etapas: primeiro, um agrupamento hierárquico pelo método de Ward foi aplicado para determinar as sementes iniciais dos grupos, que depois foram utilizadas em um agrupamento não hierárquico k-means. Com base nos resultados dessa análise, foi identificado um grupo restrito de países para exame mais aprofundado. Por fim, dois métodos de ranqueamento (Método 1 e Método 2) foram aplicados aos mercados emergentes previamente selecionados: uma média ponderada baseada nos coeficientes estimados da regressão (com inclusão de forma leve das variáveis não significativas) e os valores ajustados da regressão, reescalonados de unidades de desvio-padrão para dólares correntes, a fim de facilitar a interpretação. Os resultados dos dois métodos foram comparados aos valores do GDP per capita dos países em 2019. O Brasil emergiu como o melhor país de renda média em posição de escapar da armadilha. As características que sugerem seu possível sucesso econômico são: um grande mercado interno, abundância de recursos naturais, sistemas financeiros relativamente desenvolvidos e eficientes e investimentos substanciais em educação. A Tailândia e a Colômbia, em ambos os métodos, também figuraram nas posições mais altas do ranking. Ambas apresentam bons perfis financeiros e de FDIs, mas vulnerabilidades em estabilidade política (especialmente a Colômbia) e em investimento em educação ou rigidez nas regulações do mercado de trabalho (especialmente a Tailândia). Entretanto, devido aos déficits significativos da Colômbia em estabilidade política, a Tailândia parece estar mais bem preparada para atingir o status de alta renda. A Índia constitui um caso especial: o Método 1 a classificou em primeiro lugar, com uma pontuação muito superior à do segundo país (Brasil), enquanto o Método 2 a colocou em último. Essa grande diferença se deve à interpretação da variável População. O Método 1 segue a literatura e considera a população de forma positiva, enquanto o Método 2 segue os resultados da regressão, na qual o coeficiente estimado para a população é negativo. Assim, os resultados econômicos da Índia dependem de sua capacidade de converter o dividendo demográfico em empregos e produtividade.
