Museu do Festival de Cinema de Gramado: a reestruturação de um museu à luz de conceitos interdisciplinares

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Data
2025-03-26

Orientador(res)

Oliveira, Lúcia Lippi

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Esta tese analisa a reestruturação do Museu do Festival de Cinema de Gramado sob uma perspectiva interdisciplinar entre museologia e antropologia, considerando os museus como zonas de contato (James Clifford). O estudo investiga como a instituição se tornou um espaço de diálogo cultural, inclusão e valorização do patrimônio cultural, transcendendo sua função expositiva tradicional. A pesquisa adota a metodologia da pesquisa-ação (Thiollent, 2011), aliada à observação participante e à observação de perto e de dentro (Magnani, 2002), permitindo que o autor, enquanto gestor do museu entre 2022 e 2024, conduzisse intervenções baseadas em teorias da museologia social e colaborativa. A reestruturação ocorre no contexto da renovação da concessão do museu pela Gramado Parks, empresa mantenedora que realizou investimentos em infraestrutura, mas carecia de um planejamento estratégico voltado à função museológica e educativa. Assim, a tese analisa a construção do planejamento estratégico 2022-2024, que serviu como guia para reposicionamento institucional. Embora o plano museológico ainda não tenha sido concluído, o planejamento estratégico estabeleceu bases sólidas e participativas para sua futura implementação. Os conceitos de semióforo (Pomian, 1984) e ressonância (Gonçalves, 2019) são utilizados para compreender como o Kikito – troféu do Festival de Gramado – foi ressignificado dentro do museu como um símbolo cultural dinâmico. A curadoria compartilhada permitiu que memórias e histórias fossem narradas por personalidades, moradores de Gramado e frequentadores do festival. O museu tornou-se um espaço em constante transformação, onde o patrimônio é reinterpretado e atualizado pela interação com diferentes públicos. O impacto dessas mudanças é evidenciado pelo crescimento expressivo do público e das ações do museu. A bilheteria passou de 43.122 visitantes (2016-2019) para 119.534 (2022-2024), enquanto as visitas mediadas passaram de zero para 2.400, e as ações externas atingiram 5.279 pessoas. Em 2023, o museu registrou 1.082 visitantes em um único dia, contrastando com a média diária de 250 visitantes. Em 2024, houve uma queda devido aos desastres climáticos que afetaram o Rio Grande do Sul e impactaram o turismo, mas ainda assim o público superou o número anual da gestão (2016-2019). A tese mostra que a transformação do museu não foi apenas estrutural, mas conceitual e metodológica. O planejamento estratégico possibilitou práticas inclusivas que tornaram o museu um espaço vivo e conectado com a comunidade. A ação itinerante “Kikito em Cena” exemplifica esse processo ao levar atividades culturais para escolas e outros espaços. O estudo reafirma que os museus não são apenas repositórios de memória, mas agentes de transformação cultural, capazes de tornar a patrimonialização do cinema brasileiro um processo dinâmico, participativo e inclusivo.

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