O custo de ser quem não sou: o custo identitário na estratificação social através dos hábitos de uma estrutura relacional
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Data
2025-07-16
Autores
Orientador(res)
Silveira, Rafael Alcadipani da
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Resumo
Esta dissertação propõe o conceito de custo identitário como uma contribuição teórica original aos Estudos Organizacionais, articulando dimensões simbólicas, estéticas, emocionais e econômicas envolvidas na construção da identidade de trabalhadores em contextos de forte conformidade cultural. Inspirado por experiências reflexivas vividas em boutiques multimarcas de moda, espaços marcados por exigências de consumo de luxo e estética organizacional, o estudo parte de uma abordagem ensaística. O arcabouço teórico baseia-se principalmente em Pierre Bourdieu (habitual, capital cultural e poder simbólico), nos estudos sobre identidade e trabalho emocional (Hochschild, 1983; Alvesson & Willmott, 2002) e nas contribuições críticas de Fontenelle (2015a, 2017) sobre consumo, distinção e subjetividade. A dissertação mostra como trabalhadores oriundos de camadas sociais distintas da clientela-alvo são pressionados a performar padrões estéticos, simbólicos e de consumo que nem sempre lhes são acessíveis, gerando dissonâncias subjetivas e desgastes identitários. O conceito de custo identitário emerge da análise dessas tensões como uma lente crítica para compreender os efeitos das práticas organizacionais contemporâneas sobre os sujeitos, avançando debates sobre identity work, trabalho emocional, estratificação e distinção social. Além disso, a pesquisa evidencia que tais custos não são apenas emocionais, mas também materiais e relacionais, sendo aprofundados por mecanismos de dominação simbólica sutis, mas eficazes, operando no cotidiano organizacional. Ao final, esta dissertação contribui para o campo dos Estudos Organizacionais ao oferecer um conceito útil para analisar os impactos da cultura do consumo e da estética do luxo na produção das identidades profissionais em contextos de desigualdade social e simbólica.
