Blockchain and gender in(equality)

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Data
2025-06-30

Orientador(res)

Diniz, Eduardo Henrique

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A desigualdade de gênero persiste como um dos desafios globais mais urgentes, especialmente nos setores de ciência e tecnologia, onde mulheres enfrentam barreiras à sua participação, liderança e inclusão digital. Neste contexto, esta tese analisa o potencial da tecnologia blockchain para promover a equidade de gênero, investigando de que forma seus atributos técnicos, como descentralização, imutabilidade e transparência, podem ser articulados a práticas institucionais e sociais sensíveis ao gênero. Esta tese adota uma abordagem metodológica mista e está estruturada em três artigos. O primeiro artigo apresenta uma revisão sistemática da literatura sobre implicações da tecnologia blockchain para a igualdade de gênero. Este primeiro artigo revela um campo emergente, e propõe uma classificação das aplicações existentes em duas dimensões: organizacional (carreiras e governança corporativa) e social (inclusão financeira, empoderamento econômico, segurança e identidade digital). O segundo artigo, com base em 17 projetos reais, propõe uma taxonomia sociotécnica de aplicações de blockchain para combater a desigualdade de gênero. Esta taxonomia categoriza os projetos estudados de acordo com suas capacidades operacionais e identifica neles uma recorrente ausência de protagonismo feminino. O terceiro artigo captura a perspectiva de 23 mulheres profissionais de tecnologia sobre as possibilidades e limitações do uso de blockchain para combater a desigualdade de gênero. Analisadas com base no referencial do technofeminismo, as entrevistas com essas profissionais revelam trajetórias, barreiras e estratégias de enfrentamento da desigualdade de gênero relacionados à tecnologia blockchain. Usando os três pilares da teoria de justiça social de Nancy Fraser, esta tese sintetiza os resultados dos projetos analisados nas dimensões reconhecimento, redistribuição e representação. Esta síntese demonstra como a tecnologia blockchain pode contribuir, em diferentes graus, para, a equidade de gênero, e aponta que a efetiva transformação estrutural para combate das às desigualdades de gênero depende da articulação entre capacidades técnicas e compromissos sociopolíticos. Do ponto de vista teórico, o estudo oferece modelos conceituais para compreender como a tecnologia blockchain pode reproduzir ou transformar desigualdades de gênero a partir de três abordagens. A primeira, criada a partir da revisão de literatura, relaciona atributos técnicos da blockchain com dimensões sociais (apresentada no primeiro artigo). A segunda, com base em análise de projetos no Brasil, apresenta uma taxonomia criada a partir de abordagem sociotécnica para classificar os projetos com base em suas capacidades operacionais (apresentada no segundo artigo). A terceira, com em entrevistas com profissionais, sintetiza as barreiras à participação das mulheres no universo blockchain e as estratégias de enfrentamento a essas barreiras; e, por fim um, modelo com os pontos fortes e limitações dos projetos de blockchain para a equidade de gênero. Do ponto de vista prático, os achados podem influenciar diretrizes para que organizações públicas e privadas incorporem a perspectiva de gênero no desenvolvimento de soluções baseadas em blockchain, com foco na participação ativa de mulheres, no letramento digital e na criação de ecossistemas mais inclusivos.

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