O impacto das perdas na cadeia de produção e distribuição de hortifrútis no custo final do produto

Data
2019-03-08
Orientador(res)
Gurgel, Angelo Costa
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Resumo

O Brasil é um grande produtor agrícola, e destaca-se pela sua produtividade e qualidade de produção. Contudo, o país enfrenta grandes problemas com as perdas, as quais ocorrem durante todas as etapas da cadeia de produção. O objetivo do presente estudo é analisar as etapas que a produção agrícola percorre, especificamente os hortifrutigranjeiros (também chamados de hortifrútis), visando analisar os possíveis problemas enfrentados em cada etapa, e ainda, contabilizando o quanto essas perdas representam no custo total dessa mercadoria. Para atingir esse objetivo, adotou-se o método de estudo de caso, no qual foi analisada uma propriedade rural produtora de hortifrútis. A propriedade fica no município de Uberlândia-MG. Foram coletados os dados de registro que a propriedade possui de plantio, produção e quantidade de entregas ao mercado de 2016 a 2018, para a produção de tomate, morango e folhosas, para analisar as perdas que ocorrem em cada etapa do processo. Pode-se constatar que no geral a propriedade enfrenta um grande problema na primeira etapa do processo, a produção. Grande parte do problema está relacionada ao controle de pragas e doenças, principalmente da traça do tomateiro, e com isso nela viu-se que a propriedade está com um elevado déficit de produção alcançada em relação ao planejado. Especificamente para o tomate e morango, as perdas com a manipulação e vendas são baixas, já com as folhosas, a propriedade enfrenta ainda uma grande perda nas vendas, devido ao formato de vendas ao mercado, o qual consiste em trocar todos os produtos não vendidos. As perdas dentro da cadeia de produção foram calculadas como sendo 25,71% para o tomate, 87,55% para o morango e 28,37% para as folhosas, o que representou uma perda potencial de receita de 776 mil reais durante o período analisado. Ainda, estima-se que, se as demais propriedades que abastecem o mercado possuírem perdas de nível semelhante à da propriedade estudada, o consumidor estaria pagando R$ 0,37 a mais pelo produto tomate por conta da menor oferta do produto nos mercados. Evidencia-se com isso as diversas fontes de perdas de produto a que os estabelecimentos hortifrutigranjeiros estão sujeitos, bem como as potenciais ações para a redução das mesmas. Como evidência empírica do estudo de caso, a propriedade analisada opera com um nível elevado de perdas, o que leva a propriedade a ter resultados financeiros negativos, precisando com isso diminuir substancialmente as perdas para que o empreendimento seja viável financeiramente.


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