Contribuições não materiais da natureza para umbandistas : estudo de caso sobre o Santuário Nacional da Umbanda no Parque Natural Municipal do Pedroso em Santo André (SP)
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Resumo
Uma das principais soluções para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, do aquecimento global e da perda de biodiversidade é a conservação ambiental. Ao mesmo tempo, é reconhecido o desafio de fazê-la em âmbito global, que engendra um cenário complexo devido aos diferentes, diversos e numerosos paradigmas, visões de mundo e culturas. Neste sentido, quem pratica as religiões brasileiras de matriz africana faz parte deste sistema e pode, a partir de sua cosmovisão particular, constituir uma das formas de contribuir para a conservação ambiental. Objetiva-se, a partir deste estudo, entender como e por que a umbanda cuida da natureza, sob a ótica dos serviços ecossistêmicos culturais e da contribuição da natureza para as pessoas. Também busca-se identificar como se dá a relação, no contexto da conservação ambiental, entre o poder público e as religiões de matriz africana, entendendo o papel daquele como primordial e inerente à questão socioambiental. Para este fim, foi realizado um estudo de caso do Santuário Nacional da Umbanda no Parque Natural Municipal do Pedroso em Santo André (SP). A metodologia do trabalho consiste em uma pesquisa qualitativa, baseada em entrevistas semiestruturadas e coleta de fotos e documentos. Pôde-se observar que, de fato e em conformidade com a literatura, a natureza é um aspecto fundamental nas práticas da Umbanda e do Santuário. O principal achado neste aspecto foi identificar que as contribuições não materiais da natureza para umbandistas refletem em uma contribuição material de umbandistas para a natureza. Mesmo assim, observou-se um reconhecimento intermitente e frágil do aspecto socioambientalmente responsável de umbandistas por parte do poder público, que ainda reflete aspectos de racismo religioso. Conclui-se que devem-se estabelecer estratégias públicas de melhor participação social na gestão dos parques municipais, aliadas à gestão de políticas públicas baseadas em evidências e ao reconhecimento do papel benéfico para a natureza de quem pratica as religiões brasileiras de matriz africana, que perpassa pela desconstrução da intolerância religiosa.
