Dinâmicas temporais da desigualdade educacional: uma análise longitudinal de 11 anos de diferenças de desempenho étnico-racial no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) no Brasil (2013-2023)
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Data
2025-10-01
Autores
Orientador(res)
Aguiar, Julio Cesar de
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Resumo
Este estudo analisa a evolução temporal das desigualdades educacionais étnico-raciais no Brasil através de uma análise longitudinal de 11 anos dos dados do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Utilizando microdados completos de 2013-2023 com aproximadamente 10,9 milhões de observações, investigaram-se as trajetórias de diferenças de desempenho entre cinco categorias étnico-raciais (Branco, Preto, Pardo, Asiático, Indígena) em quatro áreas temáticas e redação. Analisaram-se séries temporais, bem como pontos de mudança e modelagem de tendências lineares para quantificação de padrões de evolução das disparidades. Os resultados sugerem um cenário preocupante: todas as lacunas de desempenho étnico-racial estão se ampliando ao invés de se fechando. Em 2023, estudantes indígenas apresentaram as maiores disparidades (105,7 pontos em Matemática, 146,5 pontos em Redação), seguidos por estudantes pretos e pardos. Pontos de mudança significativos foram identificados em 2016, 2018 e 2020-2021, coincidindo com reformas educacionais e o impacto da COVID-19. Projeções lineares indicam que, mantidas as tendências atuais, as lacunas continuarão se expandindo até 2030. Matemática e Redação apresentam as disparidades mais persistentes e crescentes. Estes achados contradizem pressupostos de progresso gradual em equidade educacional e demandam reavaliação urgente das políticas públicas educacionais brasileiras.
